Publicado em 3 de fevereiro de 2010 ¬ 20:09h.Lina Vieira
Quando calor e humores infernais nos rodeiam, nada melhor do que hibernar em uma sala de cinema estupidamente gelada, pagando meia e tendo apenas um milk shake de Ovomaltine crocante como companhia.
Meu refúgio hoje foi Up in the air, mais conhecido como o novo do George Clooney com aquela menina chata de Crepúsculo (Anna Kendrick).

O filme narra a vida de um consultor que viaja pelos Estados Unidos demitindo funcionários de empresas em crise. Definitivamente, não é uma história de amor – mais uma das já manjadas propagandas enganosas nos títulos nacionais. Tampouco é uma comédia em seu sentido literal – nunca acreditem nas classificações.
É um filme leve, mas daqueles que te deixam com idéias na cabeça. Daqueles sem finais romântico-idealizados. Daqueles que te fazem pensar como o convívio social e pode ser insuportável e/ou dispensável. Mas daqueles que te fazem pensar como o convívio social é imprescindível.
Pessoas são um saco, mas são maravilhosas.
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A virtude está no meio.
Publicado em 29 de janeiro de 2010 ¬ 10:07h.Lina Vieira

Azul Satin, da Impala e Asus Eee PC 1005HA-H, o netbook Highlander.
A foto não faz justiça, mas eu JURO que o acabamento do netbook é igual ao esmalte: preto brilhante com cintilância azul.
É aquele falso discreto. A aparente sobriedade não chama atenção em um ambiente de trabalho, mas a sua alma perua fica satisfeita só em saber que o brilhinho está lá, escondido, e pode ser revelado a qualquer momento por uma iluminação mais travessa.
So cute.
Assim que abri a caixa do gadget e vi que o tal preto brilhante que eu via nas fotos não era simplesmente preto, passei a sonhar com um esmalte igual. Depois de consultar os oráculos Twitter e Google, bati perna pra caramba até encontrar esse bendito Azul Satin, que seria, digamos, um genérico do famoso Blue Satin, da Chanel.
Daí que agora eu abro o netzinho comprado em 12 vezes sem juros e só penso: CHANEL.
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Sim, eu sou mulherzinha e sou geek. E daí?
Publicado em 3 de dezembro de 2009 ¬ 21:05h.Lina Vieira
O fim de tarde quente e úmido brinda meu rosto com uma brisa morna, ainda assim agradável. Caminho devagar pela calçada, observando a decoração natalina de uma das casas, já acesa. A música caipira em um rádio ao longe faz companhia aos burburinhos dos pássaros e ao cantar de uma cigarra, ansiosa pelo dia seguinte de sol – ao menos assim dizia a minha avó.
As crianças brincam na rua em horário que seria escolar, não fosse o período de férias. Os meninos jogam futebol, interrompendo vez ou outra a pelada quando um carro passa pela rua de pouco trânsito. As meninas conversam em uma rodinha no portão da vila. Uma delas exibe um celular recém-adquirido, a única pista de modernidade nesta cena surpreendentemente bucólica para o Rio de Janeiro em 2009.
O céu que já estava escuro de nuvens carregadas, agora clareia-se com um relâmpago. A trovoada faz meu coração tremer. Não de medo, mas não sei explicar a razão. Fecho os olhos por um segundo e sinto as gordas gotas de uma água fresca molhando meu rosto, refrescando o calor de um dia inteiro.
Os meninos continuam a jogar bola. As roupas agora encharcadas e os gritos, juro, mais animados. Esqueço de me proteger da chuva e, quando me dou conta, o que normalmente seria um martírio, se tornou um prazer, como foi um dia na infância.
Alguns momentos a mais e a chuva para. Outros mais e o sol, teimoso, resurge, se negando a admitir a noite. Finalmente, lembro-me de entrar em casa. É dezembro.
