Arquivo de julho, 2004

Tanto

Tanto tempo sem te ver
Sem saber do seu paradeiro
Que mentira: eu sei que você
Sempre esteve ao meu alcance
Longe, em todo lugar
Ao alcance da minha vontade
À distância da minha coragem

Tanto tempo sem te ver
Mas me lembro do seu cheiro
E do tom da sua voz
De repente, eu quero tudo de novo
Quero que você me abrace
Como se fosse me salvar do mundo
Quero que você grite comigo
Da maneira mais engraçada e doce
Quero que você derrube meu teto
E destrua meus muros

Tanto tempo sem te ver
Será que você ainda me amaria?

Escritora sem papel

Não, este não é um post sobre quem escreve no computador. E nem eu estou me achando escritora no sentido formal da coisa. Só estava pensando sobre a forma como eu escrevo. Escrevo o tempo todo. Escrevo na rua, enquanto espero o ônibus. Escrevo no banho, enquanto a água cai. Escrevo na cama, enquanto espero o sono chegar. Escrevo sem caneta, sem papel, sem computador. Escrevo as palavras na minha cabeça. Frases que nunca serão lidas, histórias que não serão contadas, versos que não serão cantados.

Acho que 99% das palavras que imagino não são compartilhadas, ninguém vai tomar conhecimento, pois não se tornam concretas, reais. Embora, por muitas vezes, sejam pura realidade. E outras, não passem de delírios surreais de uma cabeça que não tem mais o que fazer. (Ou tem, mas insiste nesse estranho hábito…) Talvez seja justamente isto: palavras são meu entretenimento. Gosto de brincar com as palavras. Simples assim. Sem pretensão. Só diversão. Combinação e permutação de significados, cores, sons, sentimentos, idéias…

É como se eu tivesse um enorme guarda-roupa à minha disposição e me divertisse experimentando e escolhendo o visual mais legal, aquilo que me cai bem, a produção mais bonita – mesmo que não fosse sair. Eu sei… Se eu não sair, ninguém verá a roupa que escolhi. Às vezes, não saio por ter um pouco de receio, medo das peças não estarem combinando ou estarem fora de moda. Mas, geralmente, visto as roupas por vestir, só pra saber se ficarão legais se eu usá-las. Quem nunca comprou uma blusa nova e, quando chegou em casa, vestiu não só a blusa, mas fez uma produção completa, só para curtir a nova aquisição? E a brincadeira faz um bem danado ao nosso humor… Mas, como sair com roupa nova também faz bem, aqui estou eu escrevendo estas bobagens – e o pior, publicando-as.

Bobagens, como eu disse, sem pretensão – só pelo bem que as palavras me fazem. (Quem disse que diversão não cura?) Com as palavras, eu posso brincar de ser quem eu quiser. Os dias, repletos de palavras, escritas ou pensadas, ficam mais claros e repletos de possibilidades, repletos de planos. Brinco de escrever um roteiro pra minha vida. De escolher o que eu quero e o que eu não quero. Brinco de escolher as palavras certas, as mais brilhantes e doces que se possa imaginar. Claro que nem sempre o script sai do papel. Mas a brincadeira por si só já é o suficiente para provocar um sorriso bobo, como aqueles que deixamos escapar ao ver um final feliz, daqueles dignos de Hollywood. Infelizmente, os créditos já estão subindo. Alguém acendeu a luz. É hora de deixar o cinema e voltar à vida real. Mas fica a sensação de que ela pode ser maravilhosamente cinematográfica. É só a gente querer. (E eu já a sinto assim.)

Customizando a vida

Pouquíssimas pessoas que lêem este blog devem saber, mas eu sei costurar. Sim, eu sou uma moça extremamente prendada (rs rs…). Já fiz roupas, bolsas, acessórios, roupa de cama, capa de sofá, cortina… Acho legal pegar um tecido novinho em folha, meter a tesoura, costurar aqui e ali e tchãrannnnn: roupa nova! Mas o que mais me agrada é a transformação, a reforma e a customização de peças. A-do-ro!

Pegar aquela calça fora de moda e transformar em uma saia bacana. Dar de cara com uma bermuda antigaça e insistir que ela vai ser uma frente-única de arrasar. Ganhar um vestido lindo que a amiga não quer mais e dar uma ajustada no tamanho. Olhar pra uma blusinha sem graça e achar que ela merece perder as mangas e ganhar umas lantejoulas. Coisas de quem tem humor inconstante e alguma habilidade com tesoura, agulha e linha… Sem contar que é o máximo alguém elogiar a sua bolsa e vc poder dizer: “Fui eu que fiz!”. ;-)

Mas não, eu não vou abrir loja, botar banquinha de camelô ou virar sacoleira: isto não é um merchandising… (rs…) Só me ocorreu falar sobre isso pq estava aqui pensando em como preciso customizar a minha vida. Transformar sentimentos inúteis em algo mais novo e mais bonito. Me ajustar à realidade. Arrancar as rendinhas dos sonhos. Restaurar a coragem. Fazer a bainha na preguiça e no conformismo. Recuperar velhos objetivos. Aplicar uns paetês na auto-confiança.

E se hoje não fosse domingo, eu juro que iria ao armarinho mais próximo buscar alguns aviamentos para remendar meu coração. Remendar, não… Customizar! Pq aí o remendo não precisa ser discreto. Passa a aparecer como detalhe e não como defeito. E é exibido com orgulho, pois só embeleza a peça. Afinal, quem disse que um coração remendado não pode ser fashion???

 

corcust.jpg

Hai-kai

Lindo, lindo! Ganhei este hai-kai de presente:

haikai.jpg

Obrigada, Daniel.