Eu sou uma burralda, claro. Não nego minhas orelhas e não saio de casa sem as ferraduras. Mas, depois de tantas burrices, a gente acaba evoluindo um pouquinho. Não chego a ser um Pokémon, mas depois de tanto apanhar, a gente acaba aprendendo a bater também.
E toda essa “experiência” faz a gente enxergar mais longe sem ter visão além do alcance; sentir logo algo de podre no ar, mesmo sem ter o olfato super aguçado; prever sacanagens e decifrar mensagens subliminares em qualquer 171 de malandro. Mas será que é tão legal uma burralda evoluída à mulher prevenida e “bem resolvida”? Pessoalmente, eu cansei.
Até onde vale a pena toda essa “sabedoria”? De que vale ver um homem e só enxergar um inimigo? Essa fase “dois pés atrás” acaba te defendendo do mal, mas também te afasta do bem.
Cansei de pensar em duplos sentidos para o que me falam. De só ler más intenções por trás de palavras bonitas. De lutar contra a minha vontade a favor da razão.
Se pra ser “inteligente” e “safa” é preciso ser neurótica e infeliz, eu prefiro ser burra.
Hoje eu escolhi acreditar em sorrisos sinceros.
Veja bem, não estou aqui dizendo que amanheci no país das maravilhas e que nada de mal vai me acontecer. Só que viver 24 horas por dia na defensiva, não dá.
Hoje eu escolhi arriscar.
Me arriscar a ser feliz. Porque o amor exige o risco. O amor é inconseqüente, cego, surdo – e burro. Amor comedido, planejado, cauteloso e metódico não é amor, é quase uma relação comercial.
Sei que posso parecer (e estou sendo) egoísta, mas sim, só estou olhando pro meu umbigo: não estou aqui só pra dar bons exemplos a serem seguidos ou me importar com opiniões de terceiros.
Hoje eu escolhi esquecer de tudo.
Não posso viver assim, sonhando com um passeio de bicicleta, saber andar, ter a bicicleta, ter todos os caminhos do mundo a seguir e não fazê-lo por medo de cair. A gente sabe que está sujeito a isso, mas não deve temer. O medo aprisiona. A coragem liberta. Eu sei que posso cair, mas não quero pensar nisso. Não hoje.
Porque hoje escolhi pensar em você.
Atualizando: Já mudei de idéia. Até resolver ser burra por opção eu decido na hora errada.
Jujumenta
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