Arquivo de maio, 2007

Pequeno Dicionário de Cafajestês – Volume 2

Best seller que é best seller tem que ter continuação, certo?

Então vamos à segunda parte deste que é o livro de cabeceira da burralda moderna, que só se deixa enganar se quiser!

“O que você tem feito de bom?”

Se o bichinho for esperto ou simplesmente não quiser ser direto para obter informações sobre a sua pessoa, essa frase é um excelente recurso. Lógico que sua resposta (atuais compromissos, baladas e afins) vai dedurar se você tem compromisso ou se está soltinha na marola. Traduzindo para o bom burraldês, significa: “tá disponível?”. Mas qual a vantagem? Ele não poderia perguntar diretamente? Pô, burralda? E quanto a desperdiçar munição? E quanto a se queimar cantando à toa? Tem muito cafa-preguiçoso por aí. O estilo Jaiminho, está definitivamente em alta.

“Queria tanto te ver hoje.”

Não querendo dar uma (opa!) de professora, mas já dando (oooooooooopa!)… O pretérito, por si só, é um tempo que indica uma ação anterior ao momento em que se fala. Ou seja, o “querer” tá no passado – já foi, baby. O agravante, na frase citada é que, por se tratar de um pretérito IMPERFEITO, o verbo indica que a tal ação passada ocorre simultaneamente em relação a outro fato. Tradução? Enquanto ele quis te ver, algo aconteceu. OU SEJA: aguarde pelo MAS logo na sequência. Queria te ver, MAS meu carro quebrou. MAS o primo do chefe do meu vizinho morreu. MAS eu tenho coisa melhor pra fazer. Preciso DESENHAR pra que você entenda que ele não quer mais sair com você hoje?

“Não se deixe influenciar pela opinião das suas amigas.”

Ser volúvel, fraca e influenciável é uma coisa. Mas ignorar o óbvio e não ouvir opiniões (para tirar suas próprias conclusões) é outra. Uma frase desse tipo só indica que quem está tentando te influenciar com uma lavagem cerebral é ELE. Com certeza será pronunciada após a realização de alguma cagada, e tem como objetivo evitar que as pessoas que gostam de você saibam o que ele fez e ajudem a enxergar uma situação evidente. Uma amiga burralda já me falou uma vez: uma coisa que você tem que esconder/omitir de seus amigos ou da sua família nunca é uma coisa legal. Cada sabe o que é melhor para si. Certo? Então porque você não pode ouvir o que os outros acham, mas deve ouvir justamente ele? Hein? Hein?

“Te adoro!”

Acabou de ouvir a pérola e ficou toda-toda, se achando a última cereja do bolo? Pode ir tirando o sorrisinho do canto da boca, porque a suposta manifestação de carinho é a mais ambígua e, consequentemente, a mais eficiente de todas. Por quê? Porque a frase pode significar tudo, mas também pode não significar absolutamente nada. Pode querer dizer desde “te acho bacaninha e quero te dar uns peguinhas” até “você é a mulher da minha vida, quero passar o resto da vida contigo”. Como todo homem que tenha o mínimo de vergonha na cara e seja sincero, na segunda hipótese, optará pelo “eu te amo”, encare a triste realidade: você está diante de um cafa. Se a intenção do sujeito estivesse longe disso e também se enquadrasse no tipo sincero-com-vergonha–na-cara, um “gosto muito de você” bastaria. Porque “te adoro”, amiga, você falava é pra sua coleguinha de classe da quarta série no depoimento escrito na agenda.

(Continua…)

Jujumenta

Como se tornar um CAFA em 10 lições

A serviço do inimigo

Dia desses, tive uma grande surpresa ao receber através do site a mensagem de um “moçoilo” que me deixou um pouco confusa. Ele dizia com todas as letras que estava “estudando” algum conteúdo do site, como o Pequeno dicionário de cafajestês, e sugerindo que escrevêssemos mais sobre o assunto.

Que os homens liam o site, eu já sabia. Que liam pra rir da nossa desgraça, eu também já sabia. Que eles liam para tentar nos entender, eu supunha. Que alguns lêem apenas para nos xingar depois, é fato. Que muitos se fazem de amiguinhos bonzinhos com comentários fofos só para tentar uma aproximação, já percebi há tempos. Que alguns patetas lêem só para saber da nossa vida pessoal, modo de pensar e agir etc. (entenda-se manual de instruções de quatro possíveis vítimas), também já tava ruiva de saber.

Agora, que eles lêem para aprender a ser cafa, essa pra mim foi novidade.

(É nessas horas que eu penso: “onde fui amarrar meu jujumento”?)

Bom, como eles já utilizam nossos textos detonando com os canalhas como material de estudo, é porque tudo é uma questão de ponto de vista, certo? Então, por que não escrever um guia direcionado aos projetos de cafa de plantão? Afinal, se eles já vão virar esses adoráveis seres repugnantes mesmo, ao menos a gente pode aproveitar para aprender sobre o modo de agir da raça e de quais armas se defender. E se é pra ser enganada, que ao menos seja com estilo, né? Afinal, cafinha de segunda, ninguém merece…

Como se tornar um CAFA em 10 lições

1. Cara-de-pau, pré-requisito.
A eficiência de um cafa é diretamente proporcional ao seu nível de cara-de-pau. Não precisa ser o supra-sumo da extroversão, mas é necessário ter iniciativa, coragem para enfrentar qualquer tipo de situação, persistência para romper a barreira das difíceis, e jogo de cintura para improvisar diante de qualquer incidente.

2. Simpatia, essencial.
Para se tornar um cafa profissional, é fundamental um bom nível de simpatia. O cafa é, sobretudo, um político. Afinal, o objetivo é ter um bom nível de abertura (opa!) com a mulherada, ser sempre bem visto por todos e, principalmente, por todas.

3. Estupidez, nunca.
Ser bruto, sem educação ou ignorante queima o filme. Lembre-se que as mulheres querem um príncipe, não um cavalo. Arrogância também não rola, “colega”. Você pode (e até deve tentar) ser superior à concorrência, mas deve nunca se achar a última baguete (you know?) da padaria.

4. Mentir, só o necessário.
Questão polêmica, a da mentira. Enquanto muitos acham que todo cafa tem que mentir muito, eu discordo. Acho, sim, que o cafa tem que saber mentir, mas usar desse artifício somente em último caso. Cafa de primeira linha é aquele que consegue enrolar a(s) mulher(es) sem precisar disso. A mentira é um recurso muito perigoso, pois, se descoberta, pode acabar em uma cagada generalizada, prejudicando sua imagem de “sonho de consumo” feminino, objetivo maior de todo cafa. Omitir, no entanto, não só é permitido, como EXIGIDO. Tá lá na cartilha da tia Teteca, logo depois de “Ivo viu a uva”.

5. Cinismo, básico.
Pintou sujeira? Você NUNCA admitirá algo que vá denegrir a honra da sua pessoa! Você nunca fez nada de errado, você é uma vítima da situação, é um complô pra estragar o “relacionamento” etc. etc. Entendeu ou quer que desenhe?

6. Ambigüidade, o recurso dos gênios.
Se você possui um QI um pouco mais elevado, pode se beneficiar desse recurso “fantárdigo”. Também dentro da idéia do “mentir só o necessário”, dizer algo que dê margem a várias interpretações sempre pode ser útil. Assim, a mulherzinha entende o que for mais conveniente pra ela (leia-se: o que ela quer que seja verdade) e todo mundo fica feliz e contente. Se um dia ela vier cobrar algo sobre o assunto, acusando tão “nobre” criatura de mentiroso, é só caprichar no “mas eu não disse isso!”. E, para desespero da vítima, você realmente não vai ter dito. Afinal, já dizia a minha avó: não dizer “não” não é dizer sim.

7. Ego feminino, um aliado.
Você está querendo pegar uma mulézinha meia-boca? Uma baranga? Uma capa da Playboy? Não importa a estética real do ser, mas sempre a elogie até a morte. Vou revelar aqui o funcionamento do ego feminino. As mulheres não gostam de serem chamadas de lindas, gostosas e perfeitas pelos homens simplesmente por quererem uma prova de que realmente são lindas, gostosas e perfeitas. (Essa opinião é mais válida vindo de outra mulher.) O grande lance é que o homem, ao fazer esses elogios, insufla o ego feminino de outra maneira: ela se sente lisonjeada pelo fato DELE ACHAR ISSO, e não de realmente ser ou não. Traduzindo, a mulher não fica feliz por ser bonita, mas por ter um homem que ache isso dela. Captou? Então trate de ser convincente.

8. Quinta-feira.
É o dia internacional do balão. Se você tem uma pseudo-oficial, a melhor data para se livrar da dona patroa e pegar a outra. Para a oficial, é fácil arrumar desculpa por ainda ser um dia de semana. Para a oficiosa, é menos humilhante que uma segunda ou terça, por exemplo. Agora se a “outra” não sabe da sua oficial, amigo, você vai ter que rebolar pra conseguir dar o balão na sexta, o único dia “misto” da semana, compartilhável entre qualquer tipo de mulher. É difícil, mas não impossível. Quem sabe um trabalho de última hora ou uma morte na família daquele amigo desconhecido?

9. A maior conquista de todos os tempos da última semana.
Dedicação e empenho em cada uma de suas conquistas é fundamental. Faça com que elas se sintam desejadas e únicas, mesmo que sejam o número 6.275 da sua agenda. O cafa perfeito mantém todas e nenhuma. Ele não tem nenhuma definitivamente, mas tem todas sempre disponíveis. Para conseguir esse feito, é preciso que elas achem que podem significar algo a mais, ser diferentes, mais importantes que as demais. Ser cafa não é fácil, tem que entrar no jogo de corpo e alma.

10. “Adeus”, risque do dicionário.
Última, porém não menos importante lição. NUNCA diga adeus. Cafa que é cafa sempre sai deixando a porta aberta. Nunca jogue fora nada: guarde os restos das refeições na geladeira ou no freezer. Nunca se sabe quando vai bater aquela fominha inesperada ou um tempo de vacas magras.

PS:
Caros candidatos a CAFA,
Pensem no bem da human… mulheridade, tentem reconsiderar a questão e desistir desta idéia sórdida. Afinal, se vocês QUEREM ser um cafa, é porque ainda não o são. E, pior, se precisam de um manual para aprender a ser, é porque sequer têm vocação pra coisa. Hum… Ou seja, parem de palhaçada e me mandem logo o telefone, porra! :-P

Jujumenta