Arquivo de maio, 2009

Flashback – Capítulo 2

O sol finalmente começava a revelar seus primeiros raios, quebrando a escuridão da madrugada, quando ela finalmente tomou o ônibus. Ficara aguardando o coletivo por quase meia hora, sozinha,  debaixo de uma suave garoa, resquício da chuva da noite anterior. Com um suspiro, subiu os degraus. Contava o dinheiro, murmurando uma antiga canção. Com o porta-níqueis na mão, as moedas eram como pequenos brinquedos brilhantes, desviando sua atenção.

– Vai passar, senhora?

– Desculpe, me distraí.

Pagou a passagem e passou pela roleta. Sentou-se e, enquanto passava  a mão pelos cabelos úmidos, repassava em sua memória todos os momentos que vivera nas últimas horas. Um meio sorriso no canto dos lábios deixava revelar sua satisfação pelo feito. Mal podia acreditar que tinha voltado lá. Já fazia mais de um ano desde a última vez, no entanto o sentimento ainda era o mesmo: não poderia mais lutar contra isso.

Desembaçou com as mãos um pedaço da janela para que pudesse observar o caminho. A cada rosto que passava pela calçada, via os olhos dele. E todos os olhos pareciam observar-lhe. Todos os olhos pareciam sorrir-lhe.

Já perdia a noção do tempo quando chegou ao seu destino. Deu sinal. Ao descer do ônibus, tropeçou, distraída, e iria ao chão se não fosse amparada pelo senhor de chapéu que aguardava sua descida para tomar a condução.

– Está bem, minha jovem?

– Nunca estive tão bem em toda a minha vida.

Mais meia dúzia de passos e abriu o portão de casa. Subiu as escadas em um silêncio triunfante. Trocou-se, colocando rapidamente a camisola, e sentou-se do lado esquerdo da cama, ao mesmo tempo em que o despertador começava a tocar, marcando seis horas.

– Bom dia, querido.

E levantou-se para fazer o café.

*   *   *

(Leia o primeiro capítulo aqui.)

Teclando da pri (Ou: Pra que serve mesmo o Twitter?)

Pois é, pra quem ainda não percebeu, estou no Twitter. Entrei já há algum tempo, quando fui criar a conta do MB. Ainda tô naquela fase de amor e ódio: não gosto nem desgosto, simplesmente não deu pra evitar, foi mais forte do que eu.

Todo mundo twitta. Toooooodo mundo. O Obama tá lá. Mas se vc preferir o Al Gore ou o (batata frita) McCain, também tem. Jenifer Aniston terminou com o John Mayer por causa da sua compulsão Twitter. O Ashton Kutcher posta foto da bunda da Demi Moore. E tá tuuuudo certo. Nos twitters tupiniquins, o top de seguidores é o Marcelo Tas, que já tem até patrocínio da Telefonica no seu micro-blog. Ouvi falar que o Lula e o (rei) Roberto Carlos iam entar no Twitter.

E você, recebendo os twits desse povo, se sente o supra-sumo do íntimo de todas essas celebridades, mesmo que quem escreva seja sua equipe de 47 assessores.

(Pra quem quiser conhecer esse ranking dos top twitters, um bom site é o We Follow.)

Até a imprensa “tradicional” resolveu aderir à coisa e agora todos os jornais, revistas e programas de TV têm sua continha no Twitter. Virou um inferno, eu sei. Na sua própria rodinha de amigos, a parada vira chat, e já vi gente convidando pra almoçar alguém do escritório ao lado pelo Twitter, fazendo confidências em público e até mesmo brincando de adedânia (sei-lá-como-escreve-isso).

Se nada disso conseguiu atraiu sua atenção, você pode receber as mensagens que uma plantinha envia quando precisa ser regada (!!) ou, pra quem mora em Londres, saber quando saiu aquela baguete quentinha na padaria da esquina.

Mas tudo isso só serve para perguntar: E aí? Pra que serve esse tal de Twitter?

Acho que o Twitter já transcendeu a um espaço para responder à pergunta “O que você está em fazendo?” em 140 caracteres.

Micro-blog? RSS portátil? Chat? Inutilidade pública?

Sei lá.  Na minha opinião, pode ser tudo isso, desde que o conteúdo seja relevante ou interessante pra mim. E acho que isso é uma questão de se escolher bem quem vai seguir. Acredito que o Twitter pode ser uma ferramenta bem interessante para troca de idéias e informações, se usado com bom senso, como tudo nesta vida.

Hoje mesmo dei um unfollow na Rosana Hermann. Ela até twitta coisas legais, mas é compulsiva: posta freneticamente, o que acaba prejudicando a qualidade do conteúdo no geral. Eu sei que o que é importante (ou não) é muito relativo, depende do gosto de cada um.  Se o John Mayer twittar dizendo que saiu do banho e está só de toalha eu vou achar o máximo – o que não aconteceria se a Rosana fizesse o mesmo. Mas se começar a aparecer muita gente postando só pra dizer que tá twittando da pri, eu fecho minha conta.

Por enquanto, está divertido. Vamos ver no que dá.

*     *     *

Pra quem não entendeu nada do que eu falei e quer entender ou pra quem entendeu e quer rir um pouco, veja esse video.

Eu odeio o Mr. Big

Eu já tô cansada de ouvir a mulherada idolatrando a figura do Mr. Big, da série Sex and the city, como o homem perfeito-sonho-de-consumo. “Aimmm, eu queria ser a Carrie…” PQP, me poupe!! Sem contar aquelas que se derretem admitindo, felizes-da-vida, que têm um Big na sua vida, como aquele a quem vai amar forever and ever. (Bleargh!)

Pois bem, eu cansei dessa palhaçada e, como andou reprisando a primeira temporada, hoje estou aqui cheia de evidências pra provar por A + B que o Mr. Big é na verdade um lobo (no mau sentido) em pele de cordeiro e que ter um tipinho desses com você é o mesmo que não ter nada.

[Atenção: Spoiler!]

Quando começa mal…
Carrie, “par romântico” do Big no seriado, o conhece por acaso, eles se esbarram várias vezes até que começam a conversar “como velhos amigos”. Ela conta que escreve uma coluna de jornal sobre relacionamentos. Em um esbarrão seguinte, ele fala que leu a coluna e que a achou “cute”, com um ar insuportável de cinismo e sorriso de monalisa, do tipo: não tô sendo mal educado, mas tô quase fazendo uma piada com o que você faz pra ganhar a vida.
[Dica implícita nº 1: Nunca se envolva com um homem incapaz de admirar ou ao menos respeitar o seu trabalho.]

Primeira “coisa”
Na primeira vez que ele a chamou pra sair, foi para que se encontrassem (cada um por si) na inauguração de um restaurante (festa com vários conhecidos) e ele ainda não teve culhões de convidá-la oficialmente. Tanto que, quando Charlotte pergunta pra Carrie se é um encontro, ela responde: Não, ele falou de uma “coisa”. “Vamos beber alguma coisa”. Ele não usou a palavra “encontro”. Veja bem, não é que isso por si só seja uma maldade, mas também não a valorizou o suficiente para oficializar um “date”. E, como se não bastasse, ainda chega suuuuuper atrasado, diz que estava procurando por ela há um tempão na festa mas não a localizava (sei), e por isso perdeu todo o (pouco) tempo disponível que tinha e vai embora. (Bem fez a Carrie que ainda não tinha emburrecido pelo Big totalmente nesse ponto da história e sai de lá com um garotão… )
[Dica implícita nº 2: Não valorize quem não te valoriza. E acredite em desculpas estapafúrdias apenas uma vez. É o máximo de possibilidade que elas têm de ser verdade.]

O amigo ou eu
Numa segunda tentativa de encontro, agora algo teoricamente mais “arrumadinho”, onde seriam só os dois em um restaurante, Mr. Big aparece com um amigo a tira colo. Diz que ele estava na fossa, tinha ligado pra ele, chorando, por isso não teve como evitar de levá-lo.
Cara, sinceramente… Isso é o supra-sumo da falta de noção!! Em primeiro lugar, ele já colocou o amigo como algo muito mais importante que o encontro. Até aí tudo bem, acontece, né? Pode ser o melhor amigo de infância com tendências suicidas e o encontro com uma mulher que ele nem sabe se gosta. BUT, pelamordedeus, liga e desmarca!! A gente até acredita na desculpa que parece estapafúrdia (se for a primeira vez). Agora, levar o amigo para o encontro? Fica parecendo que contratou um personal-empata-foda-tabajara, o que faz automaticamente qualquer mulher se sentir o cu da Susan Boyle – e ela deve ter um puta cu cabeludo.
[Dica implícita nº 3: Questione seu relacionamento quando os amigos dele sempre são mais importantes que você.]

Marmitex
Na primeira vez que eles transam, no apartamento do Big, ele não é nem um pouco carinhoso naquele momento pós-coito e, alegando fome, a convida para sair pra comer. (O que, cá entre nós, pode ser um forte indício de desculpa pra que ela não passe a noite por lá.) Além disso, a leva para um restaurante super chinfrim e escondido de tudo e de todos, não correndo o risco de serem vistos juntos por conhecidos.
[Dica implícita nº 4: Nunca confie em um homem que evita ser visto em público com você. Seja por vergonha especificamente de você ou simplesmente medo de ser visto com outra mulher, se for comprometido, nos dois casos se trata de um estúpido/covarde.]

Invisível é a mãe
Depois de sumir por váááários dias após a primeira transa (o que já não é legal), ele a procura e eles saem. Caminhando na rua, encontram com um casal de conhecidos do Mr. Big, e ele não a apresenta. Carrie fica com uma mega cara de “sou invisível?” e, mesmo assim, ele não faz nem fala nada. Super suspeito, já que, tendo em vista a novidade da coisa, nem de namorada precisava chamar.
[Dica implícita nº 5: A não ser que você namore um troglodita-neandertal-sem-educação, no mínimo desconfie se ele não te apresenta, de preferência como namorada, aos conhecidos.]

Pois é, amigos da Rede Globo… Essa fofura toda é o nosso Mr. Big. Mesmo assim, a burralda da Carrie leva adiante esse negócio. Ele sempre com suas explicações extraordinárias pras merdas que faz e suas indas e vindas infinitas, no melhor estilo Homem-Jason. Ao longo da trajetória, eles têm, sim, momentos super bonitinhos… Ele é aquele tipão, todo charmoso e inteligente… Mas não é muita dor de cabeça pra pouca felicidade? Em alguns momentos, Big ainda tem a petulância de culpar a Carrie por não querer nada sério com ele, mas quem vai se sentir segura pra ter algo sério com um homem desses??

Gran finale
No final da série, Mr. Big, fofurinha-boy, vai atrás da Carrie em Paris, dizendo que ela é a mulher da vida dele. Todo mundo achou lindo o happy end, mas nada tira da minha cabeça que ele só tomou essa atitude porque ela tava lá toda-toda bem arrumada com um artista plástico fodão. (Tudo bem que não tava tão bem assim, mas ele não sabia disso, né?)
[Dica implícita nº 6: Concorrência só é estímulo para babacas.]

Em Sex and the city – o filme, que conta a sequencia da história da série, Big e Carrie finalmente se casam. Antes que as burraldas comecem a suspirar, aviso logo que antes disso acontecer, ele tem a caraça de a abandonar na igreja na primeira tentativa de casamento, só porque estava com “medinho”.

Tá bom pra vocês? Pensam que acabou? Que tal essa, então: li por aí que no filme Sex and the city 2, Mr. Big vai trair a Carrie. Previsível? Não, imagina! É como dizia o nosso grande filósofo Compadre Washington: “Pau que nasce torto, nunca se endireita”.

(Mooooorra, Big!)