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	<title>Lina Vieira &#124; Parambólica &#187; Crônicas e Contos</title>
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	<description>Ficção com um pouco de realidade. Realidade com um pouco de ficção.</description>
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		<title>Dezembro</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Dec 2009 23:05:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lina Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas e Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Calor]]></category>
		<category><![CDATA[Chuva]]></category>
		<category><![CDATA[Dezembro]]></category>
		<category><![CDATA[Felicidade]]></category>

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		<description><![CDATA[O fim de tarde quente e úmido brinda meu rosto com uma brisa morna, ainda assim agradável. Caminho devagar pela calçada, observando a decoração natalina de uma das casas, já acesa. A música caipira em um rádio ao longe faz companhia aos burburinhos dos pássaros e ao cantar de uma cigarra, ansiosa pelo dia seguinte [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O fim de tarde quente e úmido brinda meu rosto com uma brisa morna, ainda assim agradável. Caminho devagar pela calçada, observando a decoração natalina de uma das casas, já acesa. A música caipira em um rádio ao longe faz companhia aos burburinhos dos pássaros e ao cantar de uma cigarra, ansiosa pelo dia seguinte de sol &#8211; ao menos assim dizia a minha avó.</p>
<p style="text-align: justify;">As crianças brincam na rua em horário que seria escolar, não fosse o período de férias. Os meninos jogam futebol, interrompendo vez ou outra a pelada quando um carro passa pela rua de pouco trânsito. As meninas conversam em uma rodinha no portão da vila. Uma delas exibe um celular recém-adquirido, a única pista de modernidade nesta cena surpreendentemente bucólica para o Rio de Janeiro em 2009.</p>
<p style="text-align: justify;">O céu que já estava escuro de nuvens carregadas, agora clareia-se com um relâmpago. A trovoada faz meu coração tremer. Não de medo, mas não sei explicar a razão. Fecho os olhos por um segundo e sinto as gordas gotas de uma água fresca molhando meu rosto, refrescando o calor de um dia inteiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Os meninos continuam a jogar bola. As roupas agora encharcadas e os gritos, juro, mais animados.  Esqueço de me proteger da chuva e, quando me dou conta, o que normalmente seria um martírio, se tornou um prazer, como foi um dia na infância.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns momentos a mais e a chuva para. Outros mais e o sol, teimoso, resurge, se negando a admitir a noite. Finalmente, lembro-me de entrar em casa. É dezembro.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-580 aligncenter" title="dezembro" src="http://www.linavieira.com.br/wp-content/uploads/2009/12/dezembro.jpg" alt="dezembro" width="167" height="240" /></p>
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		<title>Flashback &#8211; Capítulo 2</title>
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		<pubDate>Tue, 19 May 2009 12:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lina Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas e Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Noir]]></category>

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		<description><![CDATA[O sol finalmente começava a revelar seus primeiros raios, quebrando a escuridão da madrugada, quando ela finalmente tomou o ônibus. Ficara aguardando o coletivo por quase meia hora, sozinha,  debaixo de uma suave garoa, resquício da chuva da noite anterior. Com um suspiro, subiu os degraus. Contava o dinheiro, murmurando uma antiga canção. Com o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O sol finalmente começava a revelar seus primeiros raios, quebrando a escuridão da madrugada, quando ela finalmente tomou o ônibus. Ficara aguardando o coletivo por quase meia hora, sozinha,  debaixo de uma suave garoa, resquício da chuva da noite anterior. Com um suspiro, subiu os degraus. Contava o dinheiro, murmurando uma antiga canção. Com o porta-níqueis na mão, as moedas eram como pequenos brinquedos brilhantes, desviando sua atenção.</p>
<p style="text-align: justify;">– Vai passar, senhora?</p>
<p style="text-align: justify;">– Desculpe, me distraí.</p>
<p style="text-align: justify;">Pagou a passagem e passou pela roleta. Sentou-se e, enquanto passava  a mão pelos cabelos úmidos, repassava em sua memória todos os momentos que vivera nas últimas horas. Um meio sorriso no canto dos lábios deixava revelar sua satisfação pelo feito. Mal podia acreditar que tinha voltado lá. Já fazia mais de um ano desde a última vez, no entanto o sentimento ainda era o mesmo: não poderia mais lutar contra isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Desembaçou com as mãos um pedaço da janela para que pudesse observar o caminho. A cada rosto que passava pela calçada, via os olhos dele. E todos os olhos pareciam observar-lhe. Todos os olhos pareciam sorrir-lhe.</p>
<p style="text-align: justify;">Já perdia a noção do tempo quando chegou ao seu destino. Deu sinal. Ao descer do ônibus, tropeçou, distraída, e iria ao chão se não fosse amparada pelo senhor de chapéu que aguardava sua descida para tomar a condução.</p>
<p style="text-align: justify;">– Está bem, minha jovem?</p>
<p style="text-align: justify;">– Nunca estive tão bem em toda a minha vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais meia dúzia de passos e abriu o portão de casa. Subiu as escadas em um silêncio triunfante. Trocou-se, colocando rapidamente a camisola, e sentou-se do lado esquerdo da cama, ao mesmo tempo em que o despertador começava a tocar, marcando seis horas.</p>
<p style="text-align: justify;">– Bom dia, querido.</p>
<p style="text-align: justify;">E levantou-se para fazer o café.</p>
<p style="text-align: justify;">*   *   *</p>
<p style="text-align: justify;">(Leia o primeiro capítulo <a href="http://www.muleburra.com/parambolica/2007/08/21/flashback/" target="_self">aqui</a>.)</p>
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		<title>Flashback</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Aug 2007 00:24:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lina Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas e Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Noir]]></category>

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		<description><![CDATA[Era noite. A chuva forte que caía não permitia que ela enxergasse bem mais de alguns metros a sua frente. Ela não tinha o costume de andar sozinha. Não naquele horário. Muito menos naquele lugar. Mas ela estava sozinha. E não usava guarda-chuva. Não sabia ao certo porque resolvera sair assim debaixo de chuva. E [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Era noite. A chuva forte que caía não permitia que ela enxergasse bem mais de alguns metros a sua frente. Ela não tinha o costume de andar sozinha. Não naquele horário. Muito menos naquele lugar. Mas ela estava sozinha. E não usava guarda-chuva. Não sabia ao certo porque resolvera sair assim debaixo de chuva. E estava de preto. Bem no fundo, ela sabia que, quando se vestia de preto, vestia-se de outra pessoa. Vestia-se de uma intenção.</p>
<p align="justify">As ruas estreitas e os casarões antigos. Alguns tipos suspeitos encostados nas portas de ferro das lojas fechadas. A pouca iluminação. Nada fazia com que sentisse medo. Ela sabia aonde ia, mas não sabia como chegar. Apenas uma vaga lembrança a guiava. Às vezes, a intuição é mais eficiente que um guia de ruas.</p>
<p align="justify">Sim, ela já havia estado ali. A rua lhe parecia familiar. As mesmas casas antigas. O movimento nas lojas. Ainda chovia, mas isso não a incomodava. &#8220;SON&#8221; – a visão do letreiro em neon lhe fez sorrir discretamente com o canto da boca. E gargalhar por dentro. Era ali.</p>
<p align="justify">Entrou devagar na loja, observando todos os detalhes. As peças. Os instrumentos. Ligeiramente empoeirados. Tudo numa perfeita e harmoniosa desorganização. Ele veio ao seu encontro. Ela lhe dá um beijo. No rosto.</p>
<p align="justify">– Por que no rosto?</p>
<p align="justify">– Não sei&#8230; Desculpe&#8230;</p>
<p align="justify">Ele respondeu algo. Ela não prestou atenção. Ele falava coisas sem importância. Mesmo que fossem importantes, ela não conseguiria decifrar. Só ouvia a voz dele, sem entender as palavras. As palavras não importavam. Não naquele momento. Toda sua atenção estava voltada para uma pequena mecha do cabelo dele que caía sobre os olhos.</p>
<p align="justify">De repente, ela desperta do transe:</p>
<p align="justify">– Anda, vamos subir. Você não pode ficar com essa roupa molhada.</p>
<p align="justify">Ele morava no andar de cima. Fechou a loja e em seguida a encaminhou pela escada estreita. A porta rangeu ao ser fechada, assim como o assoalho de madeira ao ser pisado. O piso de tábua corrida, já opaco de tão gasto. O barulho das chaves. As pequenas gotas de água que pingavam de sua roupa e de seus cabelos e faziam o chão pontilhado de estrelas.</p>
<p align="justify">As enormes janelas azuis pareciam saídas de um casarão do século XIX. Estavam metade abertas e metade fechadas. O descascado em um canto revelava o amarelo da camada de tinta anterior. E um dos vidros estava trincado. Ela não sabia porque reparava tanto nas janelas. Talvez por não haver móveis no cômodo. Só alguns objetos espalhados. Não havia luz no ambiente. A pouca iluminação vinha das janelas, dos letreiros do lado de fora. Uma claridade pálida de lâmpada fluorescente ou neon&#8230;</p>
<p align="justify">Ele liga um radinho que estava em um canto, no chão. O som era ruim, chiava bastante, mas a música preencheu o ambiente. &#8220;<a title="Strangers in the night..." href="http://www.goear.com/listen/66c578a/Strangers-in-the-night-Frank-Sinatra" target="_blank">Strangers in the night&#8230;</a>&#8221; Ela não achou a velha canção fora de moda. Ele veio na direção dela sem dizer palavra alguma. Ela também não tinha vontade de falar. Mesmo que quisesse, a voz não sairia. Ele a olhava como se fosse a primeira e última vez. Ela tremia por dentro.</p>
<p align="justify">(&#8230;)</p>
<p align="justify">Pela manhã, uma música ainda chiava no rádio. Mas ela não estava lá.</p>
<p align="justify">
<p align="center">* * *</p>
<p align="center">
<p align="justify"><strong>PS:</strong> Republicando esse texto por dois motivos:</p>
<p align="justify">1) Eu gosto dele e deletei meu blog antigo com todo o histórico. <img src='http://www.linavieira.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_sad.gif' alt=':-(' class='wp-smiley' /> </p>
<p align="justify">2) Talvez venha uma continuação por aí. <img src='http://www.linavieira.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';-)' class='wp-smiley' /> </p>
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		<title>Era uma vez&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Oct 2005 17:02:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lina Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas e Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Conto]]></category>

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		<description><![CDATA[
Era uma vez uma menina que adorava brincar com bolhas de sabão. Ela era fascinada pela beleza daquelas frágeis bolinhas transparentes. Aquele brilho multicolorido que flutuava diante de seus pequenos olhos fazia com que brotassem gargalhadas de felicidade. A brincadeira era a única coisa que a deixava realmente feliz.
Um dia, a menina percebeu que tudo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;" align="left"><img class="size-full wp-image-146 aligncenter" title="Era uma vez..." src="http://www.linavieira.com.br/wp-content/uploads/2009/04/bolha.jpg" alt="Era uma vez..." width="183" height="175" /></p>
<p align="justify">Era uma vez uma menina que adorava brincar com bolhas de sabão. Ela era fascinada pela beleza daquelas frágeis bolinhas transparentes. Aquele brilho multicolorido que flutuava diante de seus pequenos olhos fazia com que brotassem gargalhadas de felicidade. A brincadeira era a única coisa que a deixava realmente feliz.</p>
<p align="justify">Um dia, a menina percebeu que tudo aquilo que ela mais gostava era efêmero demais. As bolhinhas sempre se desfaziam rapidamente, fosse no choque com algum obstáculo, fosse se dissipando no ar. Isso a deixava muito triste, pois ela queria gargalhadas que durassem a vida toda.</p>
<p align="justify">Então, a menina resolveu não brincar mais. Guardou seu último restinho de sabão e jurou que só o usaria novamente quando inventassem um jeito de fazê-las durarem para sempre.</p>
<p align="justify">Todos os dias, a menina saia de casa e sentava na calçada. Ficava ali, horas a fio, vendo as outras crianças brincando, fazendo bolhas e mais bolhas sem se preocupar se elas acabariam ou não. Ela gostava de assistir, mas isso não a fazia sorrir.</p>
<p align="justify">Até que um dia, um menino sentou ao seu lado. Ele perguntou porque ela não brincava como os outros. Ela contou seu medo. Ele, então, disse:</p>
<p align="justify">- As bolhas nunca serão para sempre. Você não pode deixar de brincar por causa disso.</p>
<p align="justify">Ela sorriu pra ele. Sim, ele a fez sorrir. E, ao sorrir, ela pensou que não eram só as bolhas que poderiam fazê-la feliz.</p>
<p align="justify">Assim, ela pegou o vidro com o restinho de sabão que havia guardado e fez muitas bolhinhas, bolhas pequenas, bolhas grandes, coloridas e brilhantes, que voavam longe. Ela ria, gargalhava no meio de tantas bolhas. Algumas pipocavam em seu rosto, outras explodiam em seu vestido enquanto ela rodopiava.</p>
<p align="justify">Ela rodava, rodava, de olhos fechados, rodava, sentindo o vento nos seus cabelos, rodava, gritando de felicidade, rodava, até que caiu no chão, tonta de alegria. Olhou para cima, e, entre os fortes raios de sol, ainda viu, por instantes, algumas últimas bolhas que teimavam em não desaparecer. A menina ria tanto, que nem se deu conta de que havia gastado até a última gota do sabão.</p>
<p align="justify">Depois de retomar o fôlego, a menina levantou. Olhou para cima. Percebeu que não havia mais bolhas. Olhou em volta e viu que estava sozinha. O menino não estava mais lá. Olhou para o chão. Viu o seu vidrinho de sabão vazio.</p>
<p align="justify">A menina sentou na calçada. E chorou.</p>
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		<title>Crise de identidade</title>
		<link>http://www.linavieira.com.br/2005/06/05/crise-de-identidade/</link>
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		<pubDate>Sun, 05 Jun 2005 16:54:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lina Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas e Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
- Triiiiiiiiiiiimmmm&#8230;
- Empresa tal, bom dia!
- Bom dia! Quem fala?
- Lina.
- Ahn?
- Lina!
- Marina?
- Li-na!
- Ahhhh! Nina!
- É, Nina&#8230; (Suspiro. PQP.)
(&#8230;)
Depois de uns 574 diálogos semelhantes, tomei a decisão.
- Triiiiiiiimmmm&#8230;
- Empresa tal, bom dia&#8230;
- Quem fala?
- MARIA.
(Primeira semana no trabalho, e já tive que mudar de nome.)
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <img src="http://www.linavieira.com.br/wp-content/uploads/2009/03/tele.jpg" alt="tele.jpg" align="right" /></p>
<p>- Triiiiiiiiiiiimmmm&#8230;<br />
- Empresa tal, bom dia!<br />
- Bom dia! Quem fala?<br />
- Lina.<br />
- Ahn?<br />
- Lina!<br />
- Marina?<br />
- Li-na!<br />
- Ahhhh! Nina!<br />
- É, Nina&#8230; (Suspiro. PQP.)</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>Depois de uns 574 diálogos semelhantes, tomei a decisão.</p>
<p>- Triiiiiiiimmmm&#8230;<br />
- Empresa tal, bom dia&#8230;<br />
- Quem fala?<br />
- MARIA.</p>
<p>(Primeira semana no trabalho, e já tive que mudar de nome.)</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Innocence</title>
		<link>http://www.linavieira.com.br/2005/04/24/innocence/</link>
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		<pubDate>Sun, 24 Apr 2005 16:49:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lina Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas e Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Sou incapaz de lembrar o que comi no café da manhã. Não decoro telefones (mal sei o meu). Esqueço datas importantes. Perco a hora. Perco compromissos. Esqueço onde guardei isso ou aquilo. Só não esqueço a cabeça porque está presa no pescoço.
Mas consigo me lembrar com riqueza de detalhes de momentos pelos quais passei há [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Sou incapaz de lembrar o que comi no café da manhã. Não decoro telefones (mal sei o meu). Esqueço datas importantes. Perco a hora. Perco compromissos. Esqueço onde guardei isso ou aquilo. Só não esqueço a cabeça porque está presa no pescoço.</p>
<p align="justify">Mas consigo me lembrar com riqueza de detalhes de momentos pelos quais passei há muitos anos e até de cenas da minha infância. Quando há algum envolvimento sentimental com o acontecido, minha memória me surpreende, guardando tudo catalogado com extrema precisão, arquivado perfeitamente: dias, locais, pessoas, clima, música, objetos, cheiros, roupas, palavras, gestos&#8230;</p>
<p align="justify">Basta que um motivo qualquer ative alguma dessas recordações, e elas vêm por inteiro, precisamente, imediatamente, como um filminho. Hoje, lembrei de um sorriso. Sou capaz de descrever toda a cena. As pessoas em volta. A música que tocava. As palavras que não foram ditas por nós dois. Mas nada disso é mais importante do que aquele sorriso. Aquele sorriso que você deve achar que eu não lembro. E do qual só fui entender o significado tanto tempo depois.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Mudança e luz</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Apr 2005 16:48:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lina Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas e Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Não sou só oito ou oitenta. Entre esses dois números, existem outros 71. E quanto mais me conheço, mais me surpreendo. Sei que sou inconstante. Gosto disso e daquilo. Gosto de calor e de frio. De preto e de rosa. Dias de multidão e dias de solidão. Dias de celular de cinco em cinco minutos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Não sou só oito ou oitenta. Entre esses dois números, existem outros 71. E quanto mais me conheço, mais me surpreendo. Sei que sou inconstante. Gosto disso e daquilo. Gosto de calor e de frio. De preto e de rosa. Dias de multidão e dias de solidão. Dias de celular de cinco em cinco minutos e dias de secretária eletrônica. Às vezes, acho que não sou uma só, pois tantos gostos e sentimentos conflitantes não poderiam caber em um só ser humano. Mas acho que tudo seria muito chato se não fosse assim. Podemos mudar de acordo com nossos desejos e com nossas necessidades. Todos nós temos direito ao nosso momento borboleta ou camaleão. E isso é uma dádiva da qual devemos usufruir.</p>
<p align="justify">Por isso, o novo sempre me agrada. Novas possibilidades, novas perspectivas, novas idéias, novo visual. E acredito que uma simples mudança de humor pode mudar muita coisa a nossa volta. Assim como uma mudança externa pode refletir nos nossos sentimentos. Mas, hoje, descobri que, em certos momentos de escuridão, por mais que se procure, não há sequer uma lanterna disponível. É necessário ter luz própria. Acho que estou num momento vaga-lume. (E eu nem sabia que podia ser assim.)</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify">Um final de semana iluminado pra vocês. <img src='http://www.linavieira.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';-)' class='wp-smiley' /> </p>
]]></content:encoded>
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		<title>Entrelinhas</title>
		<link>http://www.linavieira.com.br/2005/01/08/entrelinhas/</link>
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		<pubDate>Sat, 08 Jan 2005 16:37:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lina Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas e Contos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.muleburra.com/parambolica/2005/01/08/entrelinhas/</guid>
		<description><![CDATA[Toca o telefone. Um certo nome pisca no visor. Chamada entrando. Suspiro.
- Oi!
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- Tudo bem com você?
- Tudo certo&#8230;
- Certo? Que coisa mais triste&#8230;
- Por que certo tem que ser triste? Que idéia!&#8230;
- Não sei. Só senti isso.
- Então sentiu errado. &#8211; Odeio o modo como você me lê por dentro.
Silêncio.
- Em que você [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Toca o telefone. Um certo nome pisca no visor. Chamada entrando. Suspiro.</p>
<p>- Oi!<br />
- Oi&#8230;<br />
- Tudo bem com você?<br />
- Tudo certo&#8230;<br />
- Certo? Que coisa mais triste&#8230;<br />
- Por que certo tem que ser triste? Que idéia!&#8230;<br />
- Não sei. Só senti isso.<br />
- Então sentiu errado. &#8211; Odeio o modo como você me lê por dentro.</p>
<p>Silêncio.</p>
<p>- Em que você está pensando?<br />
- Em nada. &#8211; Que eu nunca vou dizer que sinto sua falta.<br />
- Essa foi a coisa mais fria e mentirosa que você já disse.<br />
- Não sou fria, sou realista, já disse. E quem é você pra fazer apologia da verdade?<br />
- &#8230;<br />
- Ainda está aí?<br />
- Eu não sou perfeito&#8230;<br />
- Ninguém é. &#8211; E eu gosto de você mesmo assim.</p>
<p>Pausa.</p>
<p>- Estou com saudades de você&#8230;<br />
- Eu também. &#8211; E do seu beijo. E do seu cheiro. Do seu jeito de me olhar quando falo besteira. Do seu jeito de desarrumar meu cabelo. Dos seus planos malucos. Saudade até do que você não sabe, do que você nem lembra. &#8211; Mas agora é tarde. Você que foi embora &#8211; na hora errada -, lembra?<br />
- &#8230;<br />
- Preciso desligar agora&#8230;<br />
- A gente se fala, então.<br />
- Tá bom. Beijo&#8230;<br />
- Um beijo. Tchau.</p>
<p><em>End.</em> O visor do celular ainda nem tinha apagado quando a lágrima furtiva deixou revelar, apenas por alguns segundos, a verdade por trás daquela máscara de orgulho e de ressentimento.</p>
<p>* * *</p>
<p><font color="#ff0000"> Que caiam todas as máscaras. </font></p>
<p><font color="#ff0000">Bom final de semana pra vocês!</font></p>
<p><strong>Atualizando:</strong> Esta é uma &#8220;obra&#8221; de ficção. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais terá sido mera coincidência.</p>
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		<title>Amor?</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Dec 2004 16:31:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lina Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas e Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>

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		<description><![CDATA[Cada vez mais eu tenho certeza de que não sei o que é o amor. O amor é vasto e complexo demais para que alguém possa afirmar que o compreende na sua totalidade. O amor é tão incompreensível quanto uma equação logarítmica. É mais fácil decorar todas as declinações do latim. Mais fácil aprender &#8220;japonês [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Cada vez mais eu tenho certeza de que não sei o que é o amor. O amor é vasto e complexo demais para que alguém possa afirmar que o compreende na sua totalidade. O amor é tão incompreensível quanto uma equação logarítmica. É mais fácil decorar todas as declinações do latim. Mais fácil aprender &#8220;japonês em braile&#8221;.</p>
<p align="justify">Porque entender o amor é entender o ser humano. E, na boa, isso nem Freud explica. Somos complicados, inconstantes, egoístas. Queremos o que não temos. Queremos o impossível. E, muitas vezes, nem sabemos o que queremos.</p>
<p align="justify">Porque amar não é saber. Não é entender. O amor real é o sentimento mais imprevisível e imperfeito que existe. Mas a perfeição amor-perfeito-príncipe-encantado-viveram-felizes-para-sempre é chata demais. Então, quem se importa?</p>
<p align="justify">O amor é perigoso. Como disse uma vez o Jabor, existe &#8220;sexo seguro&#8221;, mas não há camisinha para o amor. E adoramos correr esse risco.</p>
<p align="justify">Porque amar é ir ao cinema de mãos dadas. É correr na praia deserta em slow motion. Mas também é ter medo. É ter dúvidas. É chorar ouvindo música de dor de cotovelo. É quebrar a cara e continuar tentando.</p>
<p align="justify">O amor não tem regra ou razão. Amor é amor e pronto. Basta. Mesmo que dê tudo errado. Mesmo que dure pouco. Mesmo que nem comece. A única certeza é que, dentro de nós, temos todos os sonhos do mundo. Mesmo que eles não se realizem.</p>
<p align="justify">(E o resto do mundo que se dane.)</p>
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		<title>Samba da blogueira doida</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Aug 2004 14:13:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lina Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas e Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Há muito tempo, eu tive um sonho estranho. O mundo estava acabando. Com direito a todos aqueles clichês apocalípticos: estrondos, explosões, fumaça&#8230; E eu observava tudo de dentro do meu quarto. Com medo, comecei a trancar a janela, passar o trinco, fechar as cortinas. De repente, vem alguém e me pergunta: &#8220;Do que adianta fechar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Há muito tempo, eu tive um sonho estranho. O mundo estava acabando. Com direito a todos aqueles clichês apocalípticos: estrondos, explosões, fumaça&#8230; E eu observava tudo de dentro do meu quarto. Com medo, comecei a trancar a janela, passar o trinco, fechar as cortinas. De repente, vem alguém e me pergunta: <strong>&#8220;Do que adianta fechar as janelas se o mundo está acabando?&#8221;</strong>.</p>
<p align="justify">Desde então, essa frase me acompanha. Dessas coisas que ficam na cabeça mesmo. Aos poucos, ela foi ganhando um significado. Pelo menos pra mim. E eu tento não me preocupar tanto com o que eu não posso mudar. Aquele papo de cansar de dar murro em ponta de faca&#8230;</p>
<p align="justify">Porque, como dizia Drummond (acho), a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional&#8230; Acho que tudo é uma questão de adaptação. De sobrevivência. E de ser feliz &#8211; apesar dos pesares.</p>
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		<title>Barbie sem sapatos</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Aug 2004 14:11:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lina Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas e Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Estava lembrando de um costume engraçado que eu tinha quando era criança. Passava horas brincando de Barbie. Adorava aquelas roupas chiques, vestidos longos, sapatos dourados de salto altíssimo, todo aquele glamour&#8230; Na hora de guardar a bagunça, eu arrumava a boneca, penteava, vestia, mas tirava os sapatos. Uma vez, minha mãe me perguntou pq eu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Estava lembrando de um costume engraçado que eu tinha quando era criança. Passava horas brincando de Barbie. Adorava aquelas roupas chiques, vestidos longos, sapatos dourados de salto altíssimo, todo aquele glamour&#8230; Na hora de guardar a bagunça, eu arrumava a boneca, penteava, vestia, mas tirava os sapatos. Uma vez, minha mãe me perguntou pq eu fazia isso. Eu disse que era pq ela já tinha ficado muito tempo com aquele salto alto e merecia um descanso. Acho que eu tinha uns cinco, seis anos. E, obviamente, nunca tinha andado de salto alto.</p>
<p align="justify">Hoje, muita gente me chama de Barbie. Deve ser pq adoro um salto alto e umas roupinhas fashion. Sem contar o cabelinho amarelo. E o nariz em pé &#8211; que não é forçado, é só uma questão de genética. Mas que ninguém se engane: nunca fui e nunca serei uma pessoa metida. Não ligo pro que os outros pensam de mim. Faço o que quero, o que gosto, o que me faz sentir bem. E ponto final.</p>
<p align="justify">Gosto de lugares sofisticados. Odeio garçons. Gosto de comidas finas. Mas não resisto a um pastel podrão de setenta centavos, em pé no balcão do Rico&#8217;s. Gosto de roupas caras. Mas compro até em camelô. Acho que aí é que está a questão. Tudo tem a sua hora certa, o seu momento. Sempre chega a hora que cansamos do belo e do fútil e queremos o fácil, o simples. Sempre chega a hora em que a Barbie precisa descansar do salto alto.</p>
<p align="justify">Hoje estou descalça, com os pés bem no chão &#8211; em todos os sentidos&#8230; E extremamente feliz assim.</p>
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		<title>Escritora sem papel</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jul 2004 14:06:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lina Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas e Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Não, este não é um post sobre quem escreve no computador. E nem eu estou me achando escritora no sentido formal da coisa. Só estava pensando sobre a forma como eu escrevo. Escrevo o tempo todo. Escrevo na rua, enquanto espero o ônibus. Escrevo no banho, enquanto a água cai. Escrevo na cama, enquanto espero [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Não, este não é um post sobre quem escreve no computador. E nem eu estou me achando escritora no sentido formal da coisa. Só estava pensando sobre a forma como eu escrevo. Escrevo o tempo todo. Escrevo na rua, enquanto espero o ônibus. Escrevo no banho, enquanto a água cai. Escrevo na cama, enquanto espero o sono chegar. Escrevo sem caneta, sem papel, sem computador. Escrevo as palavras na minha cabeça. Frases que nunca serão lidas, histórias que não serão contadas, versos que não serão cantados.</p>
<p align="justify">Acho que 99% das palavras que imagino não são compartilhadas, ninguém vai tomar conhecimento, pois não se tornam concretas, reais. Embora, por muitas vezes, sejam pura realidade. E outras, não passem de delírios surreais de uma cabeça que não tem mais o que fazer. (Ou tem, mas insiste nesse estranho hábito&#8230;) Talvez seja justamente isto: palavras são meu entretenimento. Gosto de brincar com as palavras. Simples assim. Sem pretensão. Só diversão. Combinação e permutação de significados, cores, sons, sentimentos, idéias&#8230;</p>
<p align="justify">É como se eu tivesse um enorme guarda-roupa à minha disposição e me divertisse experimentando e escolhendo o visual mais legal, aquilo que me cai bem, a produção mais bonita &#8211; mesmo que não fosse sair. Eu sei&#8230; Se eu não sair, ninguém verá a roupa que escolhi. Às vezes, não saio por ter um pouco de receio, medo das peças não estarem combinando ou estarem fora de moda. Mas, geralmente, visto as roupas por vestir, só pra saber se ficarão legais se eu usá-las. Quem nunca comprou uma blusa nova e, quando chegou em casa, vestiu não só a blusa, mas fez uma produção completa, só para curtir a nova aquisição? E a brincadeira faz um bem danado ao nosso humor&#8230; Mas, como sair com roupa nova também faz bem, aqui estou eu escrevendo estas bobagens &#8211; e o pior, publicando-as.</p>
<p align="justify">Bobagens, como eu disse, sem pretensão &#8211; só pelo bem que as palavras me fazem. (Quem disse que diversão não cura?) Com as palavras, eu posso brincar de ser quem eu quiser. Os dias, repletos de palavras, escritas ou pensadas, ficam mais claros e repletos de possibilidades, repletos de planos. Brinco de escrever um roteiro pra minha vida. De escolher o que eu quero e o que eu não quero. Brinco de escolher as palavras certas, as mais brilhantes e doces que se possa imaginar. Claro que nem sempre o script sai do papel. Mas a brincadeira por si só já é o suficiente para provocar um sorriso bobo, como aqueles que deixamos escapar ao ver um final feliz, daqueles dignos de Hollywood. Infelizmente, os créditos já estão subindo. Alguém acendeu a luz. É hora de deixar o cinema e voltar à vida real. Mas fica a sensação de que ela pode ser maravilhosamente cinematográfica. É só a gente querer. (E eu já a sinto assim.)</p>
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		<title>Customizando a vida</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Jul 2004 14:03:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lina Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas e Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Pouquíssimas pessoas que lêem este blog devem saber, mas eu sei costurar. Sim, eu sou uma moça extremamente prendada (rs rs&#8230;). Já fiz roupas, bolsas, acessórios, roupa de cama, capa de sofá, cortina&#8230; Acho legal pegar um tecido novinho em folha, meter a tesoura, costurar aqui e ali e tchãrannnnn: roupa nova! Mas o que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Pouquíssimas pessoas que lêem este blog devem saber, mas eu sei costurar. Sim, eu sou uma moça extremamente prendada (rs rs&#8230;). Já fiz roupas, bolsas, acessórios, roupa de cama, capa de sofá, cortina&#8230; Acho legal pegar um tecido novinho em folha, meter a tesoura, costurar aqui e ali e tchãrannnnn: roupa nova! Mas o que mais me agrada é a transformação, a reforma e a customização de peças. A-do-ro!</p>
<p align="justify">Pegar aquela calça fora de moda e transformar em uma saia bacana. Dar de cara com uma bermuda antigaça e insistir que ela vai ser uma frente-única de arrasar. Ganhar um vestido lindo que a amiga não quer mais e dar uma ajustada no tamanho. Olhar pra uma blusinha sem graça e achar que ela merece perder as mangas e ganhar umas lantejoulas. Coisas de quem tem humor inconstante e alguma habilidade com tesoura, agulha e linha&#8230; Sem contar que é o máximo alguém elogiar a sua bolsa e vc poder dizer: &#8220;Fui eu que fiz!&#8221;. <img src='http://www.linavieira.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';-)' class='wp-smiley' /> </p>
<p align="justify">Mas não, eu não vou abrir loja, botar banquinha de camelô ou virar sacoleira: isto não é um merchandising&#8230; (rs&#8230;) Só me ocorreu falar sobre isso pq estava aqui pensando em como preciso customizar a minha vida. Transformar sentimentos inúteis em algo mais novo e mais bonito. Me ajustar à realidade. Arrancar as rendinhas dos sonhos. Restaurar a coragem. Fazer a bainha na preguiça e no conformismo. Recuperar velhos objetivos. Aplicar uns paetês na auto-confiança.</p>
<p align="justify">E se hoje não fosse domingo, eu juro que iria ao armarinho mais próximo buscar alguns aviamentos para remendar meu coração. Remendar, não&#8230; Customizar! Pq aí o remendo não precisa ser discreto. Passa a aparecer como detalhe e não como defeito. E é exibido com orgulho, pois só embeleza a peça. Afinal, quem disse que um coração remendado não pode ser fashion???</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center"><img src="http://www.linavieira.com.br/wp-content/uploads/2009/03/corcust.jpg" alt="corcust.jpg" /></p>
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		<title>Dinheiro parco, economia porca</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Apr 2004 13:22:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lina Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas e Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Não sei se vocês já repararam, mas nós, consumidores, cada vez mais estamos sendo enganados &#8211; ou, no mínimo, prejudicados &#8211; com uma economia porca nos mais diversos produtos e serviços. Eu fico indignada com isso! Já ando constantemente dura e ainda tenho que me deparar com coisas como estas:
Requeijão: Aviso aos distraídos: podem prestar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Não sei se vocês já repararam, mas nós, consumidores, cada vez mais estamos sendo enganados &#8211; ou, no mínimo, prejudicados &#8211; com uma economia porca nos mais diversos produtos e serviços. Eu fico indignada com isso! Já ando constantemente dura e ainda tenho que me deparar com coisas como estas:</p>
<p align="justify"><strong>Requeijão:</strong> Aviso aos distraídos: podem prestar mais atenção quando comprarem aquele requeijão de sempre. Até algumas das marcas mais famosas (como a Poços de Caldas) não são mais requeijão puro, e sim uma tal &#8220;especialidade láctea com requeijão&#8221;, ou algo assim. Fala sério. Depois disso, botar água no feijão não é nada.</p>
<p align="justify"><strong>Cartucho de impressora:</strong> Depois de chegarmos a um ponto onde já tinha cartucho custando o mesmo que muita impressora por aí, os fabricantes resolveram abaixar o preço&#8230; diminuindo a quantidade de tinta!!! Assim até eu, né? Não precisava ser nenhum gênio das finanças&#8230;</p>
<p align="justify"><strong>Ingresso para show, cinema, teatro etc.:</strong> Depois de muito cu doce pra aceitarem qualquer carteira de estudante (emitidas pelas próprias instituições de ensino) na meia entrada, finalmente acataram a lei. Mas antes, claro, trataram de aumentar significativamente os valores dos ingressos. Ou seja, quem é estudante paga o mesmo que antes; e quem não é, está f***do.</p>
<p align="justify"><strong>Absorvente:</strong> Desde que eu me entendo por gente, todas as marcas de absorventes íntimos vinham com dez unidades. Agora isso é raro. A esmagadora maioria vem só com oito. PQP!!! Agora temos que economizar até na menstruação?!? Tipo: fecha as pernas que o absorvente acabou. Agora só mês que vem. Ninguém, eu disse NINGUÉM merece!!!</p>
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		<title>Wishlist</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Jan 2004 02:56:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lina Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas e Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Odeio gente chata. Principalmente homens chatos. Posso até me apaixonar por um cara feio (típico). Ou mal caráter. Ou safado. Ou duro (típico). O cara pode ser o avesso do avesso do avesso do príncipe encantado. Não sou exigente. Mas não me venha com um cara chato. Do tipo que começa as frases com &#8220;veja [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Odeio gente chata. Principalmente homens chatos. Posso até me apaixonar por um cara feio (típico). Ou mal caráter. Ou safado. Ou duro (típico). O cara pode ser o avesso do avesso do avesso do príncipe encantado. Não sou exigente. Mas não me venha com um cara chato. Do tipo que começa as frases com &#8220;veja bem&#8221; ou que combine sapato, cinto e pulseira de relógio. Ah, isso não.</p>
<p align="justify">Quero alguém que entenda as minhas loucuras. Que fale muito, mas saiba ficar quieto na hora certa. Que prefira um sanduba a um restaurante fino. Que não combine as roupas, mas seja vaidoso. Que não use relógio e nem vista azul marinho. Que não tenha muitos móveis em casa, mas tenha mais de duzentos discos. Alguém que goste de andar descalço. Que não saiba cozinhar, mas lave a louça pra mim. Que tenha um bom coração, mas não seja certinho demais. Que me conte piadas e ria das minhas besteiras. Que enrole meus cabelos nos dedos. Que toque violão mal. Que encerre uma briga com um beijo. Que não saiba dançar, mas dance mesmo assim.</p>
<p align="justify">(Não, eu não sou exigente.)</p>
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