‘Citações’

Perfeita simetria

simetria.jpgToda vez que toca o telefone
Eu penso que é você
Toda noite de insônia
Eu penso em te escreverPra dizer
Que o teu silêncio me agride
E não me agrada
Ser um calendário do ano passado

Pra dizer
Que teu crime me cansa
E não compensa
Entrar na dança depois que a música parou…

(Gessinger)

Loiras…

For Anne Gregory
(William Butler Yeats)’Never shall a young man,
Thrown into despair
By those great honey-coloured
Ramparts at your ear,
Love you for yourself alone
And not your yellow hair.’

‘But I can get a hair-dye
And set such colour there,
Brown, or black, or carrot,
That young men in despair
May love me for myself alone
And not my yellow hair.’

‘I heard an old religious man
But yesternight declare
That he had found a text to prove
That only God, my dear,
Could love you for yourself alone
And not your yellow hair.’

Ainda pinto o cabelo de vermelho… :-/

* * *

Traduzindo mais ou menos:

Para Anne Gregory
(William Butler Yeats)

“Nunca deve um rapaz
Atirar-se ao desespero
Por essas sublimes muralhas
Cor de mel em sua orelha,
Amá-la só por você mesma
E não por seus cabelos loiros.”

“Mas eu posso tingir os cabelos
E dispor de tantas cores
Castanho, ou preto, ou cenoura,
Que os homens em desespero
Poderão me amar só por mim mesma
E não por meus cabelos loiros.”

“Eu ouvi um velho religioso
Porém declarar à noite passada
Que havia encontrado um texto para provar
Que só Deus, minha querida,
Poderia amá-la só por você mesma
E não por seus cabelos loiros.”

Ah, a palavra…

Desde aquele post do dia 13 de julho, lembrava desse texto do Pablo Neruda. Só ontem achei. Deixo um pedacinho pra vcs:

Sim, senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e descem… Prosterno-me diante delas… Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as… Amo tanto as palavras… As inesperadas… As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem… Vocábulos amados… Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho… Persigo algumas palavras… São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema… Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas… E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as… Deixo-as como estalactites em meu poema; como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda… Tudo está na palavra…

(Pablo Neruda)

Boa noite

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“Hoje no universo nada que brilha cega mais que seu nome…”
(Djavan)

Canção mínima

No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro, uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta.
(Cecília Meireles)

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Hoje eu só quero ser a asa da borboleta de alguém…