Publicado por Lina Vieira on 16/04/2005 |
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Não sou só oito ou oitenta. Entre esses dois números, existem outros 71. E quanto mais me conheço, mais me surpreendo. Sei que sou inconstante. Gosto disso e daquilo. Gosto de calor e de frio. De preto e de rosa. Dias de multidão e dias de solidão. Dias de celular de cinco em cinco minutos e dias de secretária eletrônica. Às vezes, acho que não sou uma só, pois tantos gostos e sentimentos conflitantes não poderiam caber em um só ser humano. Mas acho que tudo seria muito chato se não fosse assim. Podemos mudar de acordo com nossos desejos e com nossas necessidades. Todos nós temos direito ao nosso momento borboleta ou camaleão. E isso é uma dádiva da qual devemos usufruir.
Por isso, o novo sempre me agrada. Novas possibilidades, novas perspectivas, novas idéias, novo visual. E acredito que uma simples mudança de humor pode mudar muita coisa a nossa volta. Assim como uma mudança externa pode refletir nos nossos sentimentos. Mas, hoje, descobri que, em certos momentos de escuridão, por mais que se procure, não há sequer uma lanterna disponível. É necessário ter luz própria. Acho que estou num momento vaga-lume. (E eu nem sabia que podia ser assim.)
Um final de semana iluminado pra vocês.
Publicado por Lina Vieira on 08/01/2005 |
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Toca o telefone. Um certo nome pisca no visor. Chamada entrando. Suspiro.
- Oi!
- Oi…
- Tudo bem com você?
- Tudo certo…
- Certo? Que coisa mais triste…
- Por que certo tem que ser triste? Que idéia!…
- Não sei. Só senti isso.
- Então sentiu errado. – Odeio o modo como você me lê por dentro.
Silêncio.
- Em que você está pensando?
- Em nada. – Que eu nunca vou dizer que sinto sua falta.
- Essa foi a coisa mais fria e mentirosa que você já disse.
- Não sou fria, sou realista, já disse. E quem é você pra fazer apologia da verdade?
- …
- Ainda está aí?
- Eu não sou perfeito…
- Ninguém é. – E eu gosto de você mesmo assim.
Pausa.
- Estou com saudades de você…
- Eu também. – E do seu beijo. E do seu cheiro. Do seu jeito de me olhar quando falo besteira. Do seu jeito de desarrumar meu cabelo. Dos seus planos malucos. Saudade até do que você não sabe, do que você nem lembra. – Mas agora é tarde. Você que foi embora – na hora errada -, lembra?
- …
- Preciso desligar agora…
- A gente se fala, então.
- Tá bom. Beijo…
- Um beijo. Tchau.
End. O visor do celular ainda nem tinha apagado quando a lágrima furtiva deixou revelar, apenas por alguns segundos, a verdade por trás daquela máscara de orgulho e de ressentimento.
* * *
Que caiam todas as máscaras.
Bom final de semana pra vocês!
Atualizando: Esta é uma “obra” de ficção. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais terá sido mera coincidência.
Publicado por Lina Vieira on 04/12/2004 |
Comente | Tags:Amor
Cada vez mais eu tenho certeza de que não sei o que é o amor. O amor é vasto e complexo demais para que alguém possa afirmar que o compreende na sua totalidade. O amor é tão incompreensível quanto uma equação logarítmica. É mais fácil decorar todas as declinações do latim. Mais fácil aprender “japonês em braile”.
Porque entender o amor é entender o ser humano. E, na boa, isso nem Freud explica. Somos complicados, inconstantes, egoístas. Queremos o que não temos. Queremos o impossível. E, muitas vezes, nem sabemos o que queremos.
Porque amar não é saber. Não é entender. O amor real é o sentimento mais imprevisível e imperfeito que existe. Mas a perfeição amor-perfeito-príncipe-encantado-viveram-felizes-para-sempre é chata demais. Então, quem se importa?
O amor é perigoso. Como disse uma vez o Jabor, existe “sexo seguro”, mas não há camisinha para o amor. E adoramos correr esse risco.
Porque amar é ir ao cinema de mãos dadas. É correr na praia deserta em slow motion. Mas também é ter medo. É ter dúvidas. É chorar ouvindo música de dor de cotovelo. É quebrar a cara e continuar tentando.
O amor não tem regra ou razão. Amor é amor e pronto. Basta. Mesmo que dê tudo errado. Mesmo que dure pouco. Mesmo que nem comece. A única certeza é que, dentro de nós, temos todos os sonhos do mundo. Mesmo que eles não se realizem.
(E o resto do mundo que se dane.)
Publicado por Lina Vieira on 20/08/2004 |
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Há muito tempo, eu tive um sonho estranho. O mundo estava acabando. Com direito a todos aqueles clichês apocalípticos: estrondos, explosões, fumaça… E eu observava tudo de dentro do meu quarto. Com medo, comecei a trancar a janela, passar o trinco, fechar as cortinas. De repente, vem alguém e me pergunta: “Do que adianta fechar as janelas se o mundo está acabando?”.
Desde então, essa frase me acompanha. Dessas coisas que ficam na cabeça mesmo. Aos poucos, ela foi ganhando um significado. Pelo menos pra mim. E eu tento não me preocupar tanto com o que eu não posso mudar. Aquele papo de cansar de dar murro em ponta de faca…
Porque, como dizia Drummond (acho), a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional… Acho que tudo é uma questão de adaptação. De sobrevivência. E de ser feliz – apesar dos pesares.
Publicado por Lina Vieira on 09/08/2004 |
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Estava lembrando de um costume engraçado que eu tinha quando era criança. Passava horas brincando de Barbie. Adorava aquelas roupas chiques, vestidos longos, sapatos dourados de salto altíssimo, todo aquele glamour… Na hora de guardar a bagunça, eu arrumava a boneca, penteava, vestia, mas tirava os sapatos. Uma vez, minha mãe me perguntou pq eu fazia isso. Eu disse que era pq ela já tinha ficado muito tempo com aquele salto alto e merecia um descanso. Acho que eu tinha uns cinco, seis anos. E, obviamente, nunca tinha andado de salto alto.
Hoje, muita gente me chama de Barbie. Deve ser pq adoro um salto alto e umas roupinhas fashion. Sem contar o cabelinho amarelo. E o nariz em pé – que não é forçado, é só uma questão de genética. Mas que ninguém se engane: nunca fui e nunca serei uma pessoa metida. Não ligo pro que os outros pensam de mim. Faço o que quero, o que gosto, o que me faz sentir bem. E ponto final.
Gosto de lugares sofisticados. Odeio garçons. Gosto de comidas finas. Mas não resisto a um pastel podrão de setenta centavos, em pé no balcão do Rico’s. Gosto de roupas caras. Mas compro até em camelô. Acho que aí é que está a questão. Tudo tem a sua hora certa, o seu momento. Sempre chega a hora que cansamos do belo e do fútil e queremos o fácil, o simples. Sempre chega a hora em que a Barbie precisa descansar do salto alto.
Hoje estou descalça, com os pés bem no chão – em todos os sentidos… E extremamente feliz assim.