‘Textos da Jujumenta’

Novos caminhos

Lá pelos idos de 2004 surgiu um papo de “vamos criar um blog”. Quatro amigas no MSN (ou era ICQ?) e uma ideia. Que não imaginávamos que fosse mudar as nossas vidas. As amigas viraram burraldas. O blog virou site. O site virou livro.

Perdemos a conta das experiências maravilhosas que o MB nos proporcionou ao longo desses anos: as reuniões de pauta divertidíssimas, os encontros com os leitores, primeira entrevista, primeiro livro lançado, primeira tarde de autógrafos.

O crescimento profissional: aprendemos a ser webmaster, assessoras, empresárias, marketeiras, enfim, ser “o Roberto Marinho de nós mesmas”.

Isso sem falar no crescimento pessoal com a convivência entre nós, burraldas, e também com o contato e troca de experiências com tantas pessoas bacanas que fizeram do MB sua casa, compartilhando conosco suas histórias tristes e felizes, seus pensamentos, suas dúvidas, suas desilusões e seus sonhos.

Mas, como dizia Renato Russo, “o pra sempre sempre acaba” e o meu tempo de MB chegou ao fim.

(O que não significa que o MB está acabando! Aguardem mais um pouco que Bubu e Antinha continuam com pique total, e já voltam com um MB todo reformulado e cheio de novidades para vocês…)

Pois é, queridos, é hora de dar tchau. Mas, uma vez burralda, sempre burralda. E, como qualquer fim de relacionamento, a gente fica com as orelhas murchas. Indecisão, medo, coragem, saudade e liberdade. A gente sabe que deve partir, mas o coração burráldico torna a tarefa difícil quando envolve pessoas e projetos que amamos.

A liberdade é doce, mas a despedida é fel.

Noite feliz?

Todo fim de ano é a “lesma lerda”: apesar do clima de confraternização, de oba-oba, de sidra vagaba e comidas engordiet… A mulherada que não está bem acertada no amor acaba passando por perrengues… Afinal, Natal e réveillon são as únicas datas, além do dia dos namorados, em que qualquer miséria sentimental toma dimensões catastróficas. Ousaria até afirmar que um coração partido nas festas de final de ano pode doer mais que no 12 de junho.

No dia dos namorados, tirando as cutucadas de uma ou outra amiga sem noção, daquelas que gostam de se intrometer na vida dos outros, você consegue manter sua dor ali quietinha, medicada e com um belo curativo. Basta evitar aqueles programinhas românticos, assistir apenas a filmes de ação e escutar um metal pesado. Quieta no seu canto, é mais fácil suportar.

Já no Natal e no Ano Novo, quem consegue sobreviver aquele batalhão de tia velha e primas recalcadas perguntando “e o namorado?” e outras pérolas no mesmo campo semântico? Se pras solteiras já é difícil, imagina para a burralda com o coraçãozinho em recuperação? (Ô, dó!) Quem consegue ignorar todo aquele clima de festa, de todos-nós-nos-amamos? Pois é, amiguinha: toda ferida dói mais quando se mete o dedo.

Sério, por que família é um bicho tão complicado? E a implicância não é só com as solteiras, não! Se você pensa que, por estar em um relacionamento estável, feliz e contente com seu par vai sair ilesa das comemorações, pare de se iludir AGORA!

Se você está só ficando, conhecendo alguém legal, vão te encher o saco pra saber se é namoro ou amizade. Se ele não for ao evento, vão perguntar por que ele está fugindo do compromisso. Se ele for, vão fazer interrogatório, mostrar aquela sua foto pelada com 3 anos e compará-lo com seu ex – ele vai fugir pro Nepal no primeiro dia útil do ano.

Se você está namorando sério já há algum tempo, é BATATA que vão perguntar quando vão marcar a data do casamento. Se o respectivo for bonito, com certeza vai passar a ceia com um olho na farofa e outro vigiando aquela prima piriguete (porque, você sabe, a inveja é uma merda).

Se estiver casada… “Pra quando é meu netinho?”, “que barriguinha de chopp é essa?”, “mas esse sujeito é mesmo um imprestável”… E você vai passar a ceia com um olho na farofa e outro vigiando aquela prima piriguete para não dar em cima do respectivo, seja ele bonito ou não, porque a aliança no dedo vai torná-lo um deus grego.

Será que uma burralda, apaixonada ou desiludida, não pode ter uma Noite Feliz? Eu poderia ficar aqui fazendo aquele discurso auto-ajuda Pollyanna, do tipo “não se importe com a opinião dos outros, pois a felicidade está dentro de você”, mas vou apelar para algo mais prático.

Supondo que você pode ser uma das burraldas que eu descrevi, lembre-se de que,sob outro ponto de vista, você pode ser a prima piriguete ou tia chata de uma outra burralda, mesmo que não perceba. Portanto, pense duas vezes (três, se já tiver embarcado no espumante) antes de fazer aquela piadinha “inocente”, para “descontrair” a família. Não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você.

FELIZ NATAL para todas nós, com ou sem peru na ceia – you know? ;-)


Amores impossíveis

Há uns dias, li alguma coisa sobre um jornalista americano que andou causando polêmica ao escrever uma matéria explicando essa febre na literatura/cinema/TV de vampiros como alvo do desejo sexual e romântico das mulheres. Crepúsculo, True Blood, blá-blá-blá, retratam esse tipo de relação, fazendo com que mocinhas (!) mundo a fora idealizem esse amor, digamos, sanguinário. Pois bem, a teoria do tal jornalista é de que as mulheres se encantam pelo estereótipo do vampiro porque, na realidade, isso retrataria um desejo enrustido de mulheres, jovens e hétero, de fazer sexo com homens gays.

Minha opinião? Ou ele bateu com a cabeça na parede ou ele mesmo é gay e está irritadinho com mulheres dando em cima dele.

Veja, eu concordo que existe, sim, o fetiche feminino de pegar um gay. Só que as mulheres não precisam fantasiar com vampiros para disfarçar esse interesse! Sempre vão existir mulheres com desejo por homens gays, isso quando não se apaixonam mesmo (consciente ou inconscientemente). Tadinho, ele não deve ter TV a cabo e nunca assistiu Will & Grace, só pode.

E essa questão vai além. Estamos falando não só de vampiros e/ou gays, mas, generalizando, estamos falando de amores impossíveis. Oi? A questão não é a causa do impedimento da relação, mas o desejo da superação desse impedimento!

Duvido que você que está me lendo agora não tenha tido ao menos UM amor impossível na sua vida. Um amigo gay, o namorado da amiga, um professor mais velho, um ator gringo, o carinha lindo da sua banda preferida ou até um vampiro. Este último, espero que só na ficção, do contrário, eu tenho um contato lá no Pinel e posso te encaminhar, viu? (Mas se você conhece o Edward… pergunta se “aquilo” também brilha?)

Conheço uma mulher que desperdiçou ANOS de sua vida sentimental completamente apaixonada por um cara gay. E não estou falando de um lance platônico daqueles que a gente sabe que é platônico e curte mesmo assim. Tô falando de paixão das cegas – e burras. Até eu, por exemplo, tenho um amigo gay que é TUDÃO e, vez ou outra, soltava umas indiretas mais picantes que me davam idéias, viu? (Florzinha, se estiver me lendo, beijo-me-liga!)

Ou seja, ficar encantada pelo personagem de um vampiro é apenas mais um desejo por uma relação impossível, que, se fosse real seria algo perigoso, sexy, misterioso e ETERNO.

Na verdade, o ser humano (e não só a mulher) sempre tem essa tendência masoquista de querer aquilo que não pode e ignorar o que está à sua disposição. Se o cara não te dá bola, seja por qual motivo for, já é meio caminho andado pra despertar o interesse feminino.

Enfim, eu acho tudo isso válido, todo mundo já passou ou vai passar por esses momentos, principalmente quando se é jovem, e é um “aprendizado” sentimental valioso. Ou só um fetiche mesmo, o que também não tem nada de mal. O que não podemos é achar que a vida é um conto de fadas e viver esperando o príncipe no cavalo branco ou sonhando, mesmo sem admitir, com o excitante perigo de um amor-bandido.

Eu mesma sou romântica ao extremo, adoooro um dramalhão e sentimentos exagerados, mas, mais cedo ou mais tarde, a gente aprende a olhar para os lados, a valorizar atitudes reais e pessoas de carne e osso, com sentimentos verdadeiros. Aos trancos e barrancos, aprendemos que é possível andar com a cabeça nas nuvens, mas sem tirar os pés do chão.

Eu quero a sorte de um amor tranquilo. E, convenhamos, esses amores complicados podem proporcionar muitas coisas, menos paz. Não estou aqui fazendo apologia da monotonia. Um sentimento tranquilo também pode ter aquele sabor de fruta mordida. A questão é que não precisamos de ficção, desafios e perigos para ser feliz.

Quer saber? Idealizar demais um parceiro ou desejar o impossível é, simplesmente, se negar a amar, porque é esperar por algo que sabemos que não vem. Olhe para o lado. E seja feliz!

“Quem não sabe amar fica esperando alguém que caiba no seu sonho.” (Cazuza)

Papos Burráldicos 2

Mais uma edição dos papos burráldicos, compartilhando com vocês as discussões filosofico-mulherzinha de mesa de bar e  suas pérolas de “sabedoria”…

Cansei de ser sexy

Gente, tô cansada dessas dicas de revista feminina do tipo “como ficar mais sexy” para o marido-namorado-ticotico. Oi? Nós somos orelhudas, mas sabemos que eles não curtem moletom furado.

Quando estamos em um relacionamento, acho básico esses cuidadinhos tipo “sou uma lady”, até porque quando estamos mesmo interessadas em alguém isso nem é um sacrifício, fazemos com tanta disposição que é um prazer.

Mas, vamos combinar que tem coisas totalmente anti-sexy que podem ser deliciosas quando estamos solteiras. Tá ímpar, baby? Pára da reclamar da vida, larga o Santo Antônio em paz e se aproveita esse momento! Eu e algumas amigas listamos alguns pequenos prazeres que só a solteira pode desfrutar!

• Dormir com moletom velho.

• Usar talco depois do banho.

• Devorar sozinha uma pizza de alho.

• Usar calcinha de algodão.

• Fazer depilação, saudavelmente, apenas por uma questão de higiene, e não, compulsivamente, sempre que perceber o primeiro pelinho de um milímetro surgir.

• Passar aquele creminho fedido – mas poderoso – em paz.

• Poder soltar aquele peidinho no meio da noite sem medo de ser feliz.

*   *   *

Coca-Choca

A moça namorou um cara que era tudo de bom. Boa pinta, boa gente, bom em tu-do (sabe?). Eram mil maravilhas, mas como o “pra sempre” sempre acaba, por questões, digamos, orelhudas (ou seriam chifrudas?), ela teve que dispensar o bofinho. Descobertos os malefícios do produto, ela jurou que não iria mais provar da coisa.

Acontece que ela ele estava sempre lá à disposição, na “geladeira”. Já não era mais aquela Coca-Cola toda, nova e geladinha, que mereceria até uma rodelinha de limão. Pelo contrário, só restavam dois dedinhos no fundo da garrafa, aquela que está lá há duas semanas na porta da geladeira e ninguém teve a coragem de beber ou a boa vontade de jogar fora: Coca sem gás e choca.

Mas sabe como é. Um belo dia, não vai havia outra Coca na casa inteira. A vontade bateu e ela já estava mal acostumada, pra não dizer viciada, no produto. Mesmo sabendo que não vai ser tão bom, mesmo sabendo que o máximo de efeito seria uma azia… Ela foi lá e ligou para o Coca-Choca.

(Detalhe: eu vi a cena e posso testemunhar que o moço está registrado na agenda do celular como Coca-Choca. Isso prova que ela já andou provando antes, né não?)

Tsc. MB é isso aí!

Papos burráldicos

Quando você tem um site que fala sobre relacionamentos, automaticamente vira referência na rodinha de amigas para assuntos amorosos. Batizada de “especialista”, todas elas cismaram que eu sei tudo sobre tudo do assunto. Mas – alô-ow? – o nome do site é Mulé Burra! Se isso não é o suficiente para deixar claro que eu não darei bons conselhos…

Seja como for, os papos sempre são super burráldicos e resolvi compartilhar alguns com vocês. Puxe a cadeira, peça um chopp e entre na roda!

Homens na cozinha

Alguém pode me explicar porque um homem que sabe cozinhar é tão sexy? Não, um jantar caseiro delicioso não vai fazer um homem feio ficar bonito, mas com certeza o deixará bem mais charmoso. Saber preparar uma comidinha gostosa para a sua amada, também no sentido gastronômico, é o que há! Pode não ser um pré-requisito fundamental para o homem-príncipe, mas vamos combinar que é um bom diferencial, não é?

Conversando com uma amiga, que me confidenciou ter decidido engatar um namoro depois de descobrir os dotes culinários do moço, discutíamos por qual motivo isso encantava tanto as mulheres. Até porque, a recíproca não é verdadeira: até dizem que tem homem que se pega pelo estômago, mas duvido que algum “macho” vai ficar encantado só pelo fato da mulher saber cozinhar.

Então, qual o mistério? Ao meu ver, engana-se quem acha que a mulher passa a achar esse homem mais interessante por querer se livrar do lerê na cozinha. Eu acho mesmo é a mulher gosta de se sentir cuidada, mimada. Ele está cozinhando PRA MIM. Sacou? E, como se não bastasse, é um “dote” meio raro nos homens, o que faz com que o “mimo” seja ainda mais valorizado.

Atenção, rapazes! Aula de culinária já!!

Detalhes tããããão pequenos de nós dois

Um cara começa a namorar. Faz questão de contar a todos e sempre se refere à “felizarda” como “minha namorada”. Minha namorada me deu este CD. Cheguei atrasado porque ontem saí como minha namorada. Minha namorada faz o melhor brigadeirão da face da Terra. Minha namorada. Namorada. MINHA.

Passa um tempo, e o discurso parece continuar o mesmo para os reles mortais. “Fulana me deu este CD. Cheguei atrasado porque ontem saí como Fulana. Fulana faz o melhor brigadeirão da face da Terra.” Mas uma burralda interessada no rapaz, daquelas com orelhas capaz de detectar tudo, com melhor recepção que as anteninhas do Chapolin Colorado, decreta: o namoro está com os dias contados. Ou, ao menos, ele já perdeu aquele encanto pela lambisgóia e, finalmente ,terei uma chance!

E aí? É psicologia feminina com fundamento ou é procurar chifre em cabeça de cavalo*? Eu, particularmente, ando meio cansada desse negócio de tentar decifrar os homens, porque sempre acaba que não era nada do que a gente passou horas imaginando, sofrendo, remoendo, perdendo horas de sono. Tanto que nem indireta masculina eu tô levando a sério. Só acredito em (e levo em consideração) palavras diretas. De preferência associada a ações (no inocente e bom sentido, tá gente?), já que até palavras o vento leva!

(*Fiz questão de substituir o “procurar cabelo em ovo”, minha expressão predileta com esse sentido, só pra não correr o risco da Antânia me zoar.)