Há uns dias, li alguma coisa sobre um jornalista americano que andou causando polêmica ao escrever uma matéria explicando essa febre na literatura/cinema/TV de vampiros como alvo do desejo sexual e romântico das mulheres. Crepúsculo, True Blood, blá-blá-blá, retratam esse tipo de relação, fazendo com que mocinhas (!) mundo a fora idealizem esse amor, digamos, sanguinário. Pois bem, a teoria do tal jornalista é de que as mulheres se encantam pelo estereótipo do vampiro porque, na realidade, isso retrataria um desejo enrustido de mulheres, jovens e hétero, de fazer sexo com homens gays.
Minha opinião? Ou ele bateu com a cabeça na parede ou ele mesmo é gay e está irritadinho com mulheres dando em cima dele.
Veja, eu concordo que existe, sim, o fetiche feminino de pegar um gay. Só que as mulheres não precisam fantasiar com vampiros para disfarçar esse interesse! Sempre vão existir mulheres com desejo por homens gays, isso quando não se apaixonam mesmo (consciente ou inconscientemente). Tadinho, ele não deve ter TV a cabo e nunca assistiu Will & Grace, só pode.
E essa questão vai além. Estamos falando não só de vampiros e/ou gays, mas, generalizando, estamos falando de amores impossíveis. Oi? A questão não é a causa do impedimento da relação, mas o desejo da superação desse impedimento!
Duvido que você que está me lendo agora não tenha tido ao menos UM amor impossível na sua vida. Um amigo gay, o namorado da amiga, um professor mais velho, um ator gringo, o carinha lindo da sua banda preferida ou até um vampiro. Este último, espero que só na ficção, do contrário, eu tenho um contato lá no Pinel e posso te encaminhar, viu? (Mas se você conhece o Edward… pergunta se “aquilo” também brilha?)
Conheço uma mulher que desperdiçou ANOS de sua vida sentimental completamente apaixonada por um cara gay. E não estou falando de um lance platônico daqueles que a gente sabe que é platônico e curte mesmo assim. Tô falando de paixão das cegas – e burras. Até eu, por exemplo, tenho um amigo gay que é TUDÃO e, vez ou outra, soltava umas indiretas mais picantes que me davam idéias, viu? (Florzinha, se estiver me lendo, beijo-me-liga!)
Ou seja, ficar encantada pelo personagem de um vampiro é apenas mais um desejo por uma relação impossível, que, se fosse real seria algo perigoso, sexy, misterioso e ETERNO.
Na verdade, o ser humano (e não só a mulher) sempre tem essa tendência masoquista de querer aquilo que não pode e ignorar o que está à sua disposição. Se o cara não te dá bola, seja por qual motivo for, já é meio caminho andado pra despertar o interesse feminino.
Enfim, eu acho tudo isso válido, todo mundo já passou ou vai passar por esses momentos, principalmente quando se é jovem, e é um “aprendizado” sentimental valioso. Ou só um fetiche mesmo, o que também não tem nada de mal. O que não podemos é achar que a vida é um conto de fadas e viver esperando o príncipe no cavalo branco ou sonhando, mesmo sem admitir, com o excitante perigo de um amor-bandido.
Eu mesma sou romântica ao extremo, adoooro um dramalhão e sentimentos exagerados, mas, mais cedo ou mais tarde, a gente aprende a olhar para os lados, a valorizar atitudes reais e pessoas de carne e osso, com sentimentos verdadeiros. Aos trancos e barrancos, aprendemos que é possível andar com a cabeça nas nuvens, mas sem tirar os pés do chão.
Eu quero a sorte de um amor tranquilo. E, convenhamos, esses amores complicados podem proporcionar muitas coisas, menos paz. Não estou aqui fazendo apologia da monotonia. Um sentimento tranquilo também pode ter aquele sabor de fruta mordida. A questão é que não precisamos de ficção, desafios e perigos para ser feliz.
Quer saber? Idealizar demais um parceiro ou desejar o impossível é, simplesmente, se negar a amar, porque é esperar por algo que sabemos que não vem. Olhe para o lado. E seja feliz!
“Quem não sabe amar fica esperando alguém que caiba no seu sonho.” (Cazuza)