‘As Burrices’

O amor, a burrice, o bem e o mal

O amor é burro. Fato. Em minha opinião, quem ainda não concorda com isso é porque simplesmente nunca se apaixonou de verdade. E, pela milésima vez, vou desenhar: ninguém aqui ta falando de QI, meu bem. Então vê se mira esse tomate podre pro outro lado e me escuta.

Quando falo em burrice, falo no sentido de que amor verdadeiro nunca é racional, o que leva a gente a cometer atrocidades inimagináveis. Amores impossíveis. Amores platônicos. Amores errados. Os opostos se atraem. Bla, blá, blá.

Mas também temos que entender que nesse emaranhado sem fim de burrices, existem aquelas que nos fazem bem e aquelas que nos fazem mal. Aí está o ovo de Colombo: a mulher inteligente (aí, sim, estou falando de QI) tem que saber ser burralda assumida, sem, no entanto, cair nas burrices extremas que fazem realmente muito mal ao nosso coraçãozinho burráldico.

Burrices do mal

Se apaixonar por homem comprometido. Atenção, eu disse se apaixonar e não “pegar”. Se você só pega, a burralda é a outra. Mas se você realmente se apaixona e acha que ele vai largar a oficial pra ficar contigo, baby, a burra é tu merma. Até porque, mesmo que em uma rara possibilidade isso ocorra, você sempre terá atrás das looooongas orelhas a seguinte pulga: “se ele fez isso com a outra, pode fazer comigo”. Eu não sei vocês, mas eu prefiro evitar cabelos brancos e manter as unhas não roídas.

Perdoar mentira. Se todo mundo estava pensando que eu ia listar “perdoar traição”, sorry. Perdoar traição é péssimo e é burrice das grandes, sim, mas cada caso é um caso. Como o amor é burro pros dois lados, seu parceiro pode simplesmente ter feito uma cagada federal e ter alguma explicação/motivação razoável. Pode até ter se apaixonado por outra. Agora, mentir, principalmente sobre traição… Isso pra mim é imperdoável. Isso é que faz o canalha ser canalha. E relevar a mentira da traição é o que faz a burralda.

Suportar violência. Gente, pelamordedeus, toda burrice tem limite. E, infelizmente, essa é uma realidade assustadora. Em minhas pesquisas para o BNN, sempre me embrulham o estômago notícias sobre violência doméstica. Faça o teste: entre no Google Notícias e coloque na busca “ex-namorado”: a maioria das notícias é de agressões e mortes. Um cara que chega e esse cúmulo, com certeza já demonstra um comportamento violento durante o relacionamento e muitas mulheres ainda aceitam esse tipo de atitude do parceiro, com justificativas burraldamente esdrúxulas, do tipo “ele tem um temperamento difícil, mas me ama” ou “prefiro isso a ficar sozinha”. Cara, na boa, vai comprar um vibrador, evite o IML e seja feliz.

Pois é. Se o amor fosse “inteligente”, só nos apaixonaríamos por alguém bonito, solteiro, fiel, gentil, da mesma classe social, mesma raça, sem vícios, trabalhador (de preferência bem remunerado), com idade regulando com a nossa, com os mesmos gostos, no mínimo 15 cm mais alto (pra compensar o salto), e, acima de tudo, que amassem a gente de volta. Enfim, nossas mães teriam os genros que pediram a Deus. (E nossa vida seria super boring.)

Burrices do bem

Devemos é agradecer pela burrice sentimental, que nos permite viver as emoções verdadeiras do amor com toda intensidade, sem medo e sem ressalvas. É a burrice que torna o frenesi do amor incondicional, e é isso que ele tem de mais belo.

Tatibitati. Quer coisa mais re-tar-da-da do que chamar um homem de 1,90m e 110 kg de “bebê”? Tchutchuquinho? Ursinho? E aquela voz ao telefone que parece que tá falando com uma criança de dois anos? “Aiiiimmmmmm… Mamãe ama o cuti-cuti dela…” Fala sério, quando presenciamos uma cena dessas não dá vontade de apontar e rir? Mas a gente não acha tudo lindo e suuuuper natural quando é com a gente?

Pobre fica rico. Quem nunca gastou o que não tinha, se endividando toda, para presentear o amado? Torrou todo salário do mês numa super produção para o primeiro encontro? Ou entrou no cheque especial para poder viajar e ver aquele amor de outro estado ou país? Pediu empréstimo em financeira com juros absuuuuurdos pra casar? (Hein, hein? Essa é clássica!)

O amor é cego. O que seria dos feios e dos gordinhos, daqueles que se vestem mal, dos carecas (que elas gostam mais!), das pessoas especiais, dos que têm bafo, caspa e chulé se o ser humano não tivesse a maravilhosa capacidade de ignorar o físico e amar o que a pessoa é e não a sua aparência? Aos olhos do apaixonado, qualquer imperfeição desaparece.

Enfim, a gente abre mão de coisas racionalmente importantes, a pessoa mais extrovertida gagueja e fica sem ação diante de seu objeto de desejo, o tímido cria coragem até para as coisas mais absurdas, inventamos desculpa esfarrapada pra telefonar…

E vocês? Que burrices deliciosas já cometeram?

Vamos lá para o fórum?

Dia dos namorados: solteiras e burrices

12 de junho, dia dos namorados. Sei lá quem inventou mais esse marco do capitalismo selvagem, mas acho que devia ser dono de floricultura ou loja de chocolate. E, o desgraçado, aqui no Brasil, ao invés de seguir a clássica data de 14 de fevereiro (dia de São Valentim), ainda fez o favor de escolher a véspera do dia de Santo Antônio, só pra gente se sentir ainda mais loser se não estiver acompanhada na data.

Por isso, muitas burraldas que ainda não encontraram a tampa da panela, acabam influenciadas a catar uma companhia desesperadamente para a ocasião. A outra metade das solteiras, acaba optando pela fuga descontrolada, tentando ignorar a data solenemente. Seja qual for seu partido, cuidado com as dicas-clichê-tipo-revista-Nova para sobreviver sozinha ao dia dos namorados que circulam por aí. Juju tá aqui pra te alertar para as possíveis ciladas.

Blind date
Quando se está sozinha, sempre tem aquela amiga que está namorando ou aquela prima casada que quer bancar o cupido e te tirar desse lodo da solterice, como se estivesse resgatando uma alma perdida. Daí, ajeita para o dia uma saída em casais, cujo seu par fatalmente será caolho, ou chato, ou terá bafo. Ok, ok. blind date é desesperador, mas toda regra tem exceção. Podem ter te arranjado com um deus grego, inteligente e charmoso. Mas, amiga, marca pro dia 13. Blind date no dia dos namorados é muito deprimente.

Festa de solteiros
Todo ano, milhares de estabelecimentos resolvem que, se você vai cair na night no dia dos namorados, é porque está sozinha e facinha, facinha. Por isso chovem eventos tipo pega-pega desesperado. Saca aquela coisa neandertal? Só falta puxar pelo cabelo e arrastar pra caverna mais próxima. Neguinho se descontrola achando que o mundo vai acabar se não trocar uma saliva no dia 12 de junho. E nem adianta tentar dar uma de vim-só-pra-dançar, porque ir a um evento desses é assinar um atestado de disponibilidade. Chances de conhecer alguém que valha a pena: 2%.

Programinha light só com as amigas solteiras
Cara, na boa… Muito fim de carreira programar aquela baladinha light com as amigas solteiras, tipo barzinho, pizzaria etc. É triste esses programinhas de solteiro do tipo não-tô-ligando-pro-dia-dos-namorados, tipo vamos juntar uma galera solteira pra se divertir moooooito!!! Rá! Ci-la-da! Vai ficar aquele bando de mulher na mesa de bar, falando mal de homem e enchendo a cara. Uó.

Viagem
Quer fugir da realidade local e aproveitar o feriadão dos namorados longe da sua cidade? Cuidado!
Se for pra serra, é fria, literalmente! Te garanto que só vai ver casais apaixonados, aquele climinha romântico de chalé-vinho-lareira-fondue. E você querendo voltar pra casa ou cortar os pulsos, o que for mais rápido para acabar com a tortura. Se organizar aquela viagem pra praia com a galera solteira, não adianta. Sempre vão aparecer de última hora alguns casais da turma, que vão ficar naquela melação característica e vão estragar sua idéia de se ver longe de romance.

Filminho e pizza em casa
Você está se sentindo o c* do mundo. Ninguém te ama e ninguém te quer. Desolada e conformada, leva pra casa um pote de sorvete (já planejando descontar a raiva nas calorias) e encomenda uma pizza calabresa (alguma lingüiça tem que ter nessa noite). Pega, inconscientemente, um filmezinho romântico na locadora porque, lá no fundo, quer mais é desidratar de tanto chorar, no melhor estilo Bridget Jones. PELAMORDEDEUS!!! Autopiedade, não! Agenda logo uma sessão de análise ou então se mata de vez, mas não fique nessa agonia!

Vou me dar um presente
Toda mulher que se diz bem resolvida adora essa. Ora, se não estou namorando, vou comprar um presente pra mim mesma, porque eu me amo, eu me adoro, não posso mais viver sem mim. Na boa, acho puro recalque. Ou você se dá todo ano um presente no dia das crianças porque não tem filho? Se você realmente não estivesse ligando pro fato, nem se daria ao trabalho.

Ligar para aquele peguete-fofo-segunda-opção
Olha, esta opção até pode ser válida, se vocês tiverem uma relação muito aberta e você for muito clara que sua intenção é apenas ter um corpinho te esquentar nessa noite fria de junho. Do contrário, o bichinho pode ser carente (segundas opções geralmente são), se envolver, e achar que um convite para o dia dos namorados significa que pode mudar o perfil do Orkut para “namorando”.

Ligar para aquele peguete-canalha
Esta opção até pode ser válida, se vocês tiverem uma relação muito aberta e você mentalizar muuuuuuito que sua intenção é apenas ter um corpinho te esquentar nessa noite fria de junho. Do contrário, a carente pode ser você, acabar se envolvendo, e achando que aquele sapo pode virar príncipe, perigando até a querer mudar o perfil do Orkut para “namorando”.

Ligar pro ex
Amiga querida, de todas as alternativas, esta é suicídio. Sossega essa periquita e, se nada conseguir te fazer evitar essa tentação, cometa qualquer uma das outras atrocidades acima. Te garanto que as consequências negativas serão infinitamente menores.

Há quem diga que não adianta fugir, que o fantasma do dia dos namorados sempre aterrorizará as solteiras. Eu discordo. Acredito que a única solução saudável é quando você está tão bem consigo mesma, que consegue passar por ele como outro qualquer. Sem forçar nada, sem apelar, sem tortura ou drama. Claro que sempre é bom amar, mas a gente não tem que estar acompanhada para estar bem, e isso é que conta. Colocar sua felicidade nas mãos de outra pessoa é a maior das burrices.

Enfim, se você está namorando, curta bastante o dia, prepare alguma surpresa para o respectivo e ame muito. Não é porque é uma data comercial que vamos perder uma oportunidade para demonstrar nosso amor, acho super válido.

Já para as solteiras, o MB deseja a todas que no próximo dia 12 de junho tenham um feliz dia do Correio Aéreo Nacional! ;-)

Eu odeio o Mr. Big

Eu já tô cansada de ouvir a mulherada idolatrando a figura do Mr. Big, da série Sex and the city, como o homem perfeito-sonho-de-consumo. “Aimmm, eu queria ser a Carrie…” PQP, me poupe!! Sem contar aquelas que se derretem admitindo, felizes-da-vida, que têm um Big na sua vida, como aquele a quem vai amar forever and ever. (Bleargh!)

Pois bem, eu cansei dessa palhaçada e, como andou reprisando a primeira temporada, hoje estou aqui cheia de evidências pra provar por A + B que o Mr. Big é na verdade um lobo (no mau sentido) em pele de cordeiro e que ter um tipinho desses com você é o mesmo que não ter nada.

[Atenção: Spoiler!]

Quando começa mal…
Carrie, “par romântico” do Big no seriado, o conhece por acaso, eles se esbarram várias vezes até que começam a conversar “como velhos amigos”. Ela conta que escreve uma coluna de jornal sobre relacionamentos. Em um esbarrão seguinte, ele fala que leu a coluna e que a achou “cute”, com um ar insuportável de cinismo e sorriso de monalisa, do tipo: não tô sendo mal educado, mas tô quase fazendo uma piada com o que você faz pra ganhar a vida.
[Dica implícita nº 1: Nunca se envolva com um homem incapaz de admirar ou ao menos respeitar o seu trabalho.]

Primeira “coisa”
Na primeira vez que ele a chamou pra sair, foi para que se encontrassem (cada um por si) na inauguração de um restaurante (festa com vários conhecidos) e ele ainda não teve culhões de convidá-la oficialmente. Tanto que, quando Charlotte pergunta pra Carrie se é um encontro, ela responde: Não, ele falou de uma “coisa”. “Vamos beber alguma coisa”. Ele não usou a palavra “encontro”. Veja bem, não é que isso por si só seja uma maldade, mas também não a valorizou o suficiente para oficializar um “date”. E, como se não bastasse, ainda chega suuuuuper atrasado, diz que estava procurando por ela há um tempão na festa mas não a localizava (sei), e por isso perdeu todo o (pouco) tempo disponível que tinha e vai embora. (Bem fez a Carrie que ainda não tinha emburrecido pelo Big totalmente nesse ponto da história e sai de lá com um garotão… )
[Dica implícita nº 2: Não valorize quem não te valoriza. E acredite em desculpas estapafúrdias apenas uma vez. É o máximo de possibilidade que elas têm de ser verdade.]

O amigo ou eu
Numa segunda tentativa de encontro, agora algo teoricamente mais “arrumadinho”, onde seriam só os dois em um restaurante, Mr. Big aparece com um amigo a tira colo. Diz que ele estava na fossa, tinha ligado pra ele, chorando, por isso não teve como evitar de levá-lo.
Cara, sinceramente… Isso é o supra-sumo da falta de noção!! Em primeiro lugar, ele já colocou o amigo como algo muito mais importante que o encontro. Até aí tudo bem, acontece, né? Pode ser o melhor amigo de infância com tendências suicidas e o encontro com uma mulher que ele nem sabe se gosta. BUT, pelamordedeus, liga e desmarca!! A gente até acredita na desculpa que parece estapafúrdia (se for a primeira vez). Agora, levar o amigo para o encontro? Fica parecendo que contratou um personal-empata-foda-tabajara, o que faz automaticamente qualquer mulher se sentir o cu da Susan Boyle – e ela deve ter um puta cu cabeludo.
[Dica implícita nº 3: Questione seu relacionamento quando os amigos dele sempre são mais importantes que você.]

Marmitex
Na primeira vez que eles transam, no apartamento do Big, ele não é nem um pouco carinhoso naquele momento pós-coito e, alegando fome, a convida para sair pra comer. (O que, cá entre nós, pode ser um forte indício de desculpa pra que ela não passe a noite por lá.) Além disso, a leva para um restaurante super chinfrim e escondido de tudo e de todos, não correndo o risco de serem vistos juntos por conhecidos.
[Dica implícita nº 4: Nunca confie em um homem que evita ser visto em público com você. Seja por vergonha especificamente de você ou simplesmente medo de ser visto com outra mulher, se for comprometido, nos dois casos se trata de um estúpido/covarde.]

Invisível é a mãe
Depois de sumir por váááários dias após a primeira transa (o que já não é legal), ele a procura e eles saem. Caminhando na rua, encontram com um casal de conhecidos do Mr. Big, e ele não a apresenta. Carrie fica com uma mega cara de “sou invisível?” e, mesmo assim, ele não faz nem fala nada. Super suspeito, já que, tendo em vista a novidade da coisa, nem de namorada precisava chamar.
[Dica implícita nº 5: A não ser que você namore um troglodita-neandertal-sem-educação, no mínimo desconfie se ele não te apresenta, de preferência como namorada, aos conhecidos.]

Pois é, amigos da Rede Globo… Essa fofura toda é o nosso Mr. Big. Mesmo assim, a burralda da Carrie leva adiante esse negócio. Ele sempre com suas explicações extraordinárias pras merdas que faz e suas indas e vindas infinitas, no melhor estilo Homem-Jason. Ao longo da trajetória, eles têm, sim, momentos super bonitinhos… Ele é aquele tipão, todo charmoso e inteligente… Mas não é muita dor de cabeça pra pouca felicidade? Em alguns momentos, Big ainda tem a petulância de culpar a Carrie por não querer nada sério com ele, mas quem vai se sentir segura pra ter algo sério com um homem desses??

Gran finale
No final da série, Mr. Big, fofurinha-boy, vai atrás da Carrie em Paris, dizendo que ela é a mulher da vida dele. Todo mundo achou lindo o happy end, mas nada tira da minha cabeça que ele só tomou essa atitude porque ela tava lá toda-toda bem arrumada com um artista plástico fodão. (Tudo bem que não tava tão bem assim, mas ele não sabia disso, né?)
[Dica implícita nº 6: Concorrência só é estímulo para babacas.]

Em Sex and the city – o filme, que conta a sequencia da história da série, Big e Carrie finalmente se casam. Antes que as burraldas comecem a suspirar, aviso logo que antes disso acontecer, ele tem a caraça de a abandonar na igreja na primeira tentativa de casamento, só porque estava com “medinho”.

Tá bom pra vocês? Pensam que acabou? Que tal essa, então: li por aí que no filme Sex and the city 2, Mr. Big vai trair a Carrie. Previsível? Não, imagina! É como dizia o nosso grande filósofo Compadre Washington: “Pau que nasce torto, nunca se endireita”.

(Mooooorra, Big!)

Papo de backstage

Ter um blog é legal. Agora, ter um site como o MB é legal e complicado. Já perdia conta das vezes em que passei por situações engraçadas, boas e ruins por ser uma Burralda. Algumas são tão absurdas, que resolvi contar para vocês.

A NOIVA

Eu, recém-chegada em uma grande empresa, super animada com o novo emprego. Projeto legal, pessoas bacanas, Juju feliz que nem pinto no lixo.

Na época, eu compartilhava a baia (e a linha telefônica) com um rapaz de outra consultoria. Todos os dias, religiosamente, sua noiva ligava e, 90% das vezes, eu atendia. Oi, Juju, aqui é a Noiva, tudo bem? Tudo bem… Noivo tá aí? Tá sim, vou passar pra ele, só um momento… Brigada, tchau. Sempre muito simpática e basicamente o mesmo texto.

Um dia, rolou um churrasco da empresa e Noivo levou a Noiva. Nos conhecemos, mas apenas de vista e meia dúzia de palavras. Alguns dias depois, ela liga novamente, como de costume, mas o texto já começou diferente: Oi, Juju, é a Noiva. Tudo bem?Tudo bem, vou passar pro Noivo… Não, não… Eu quero falar com você… Posso te fazer uma pergunta?

Pausa para três segundos de desespero. Como assim fazer uma pergunta? Ih, lá vem bomba, só pode. Do jeito que eu dou sorte, no mínimo deve achar que eu tô interessada no Noivo!

– Errr… Pode, claro…
– Você é uma das Burraldas?

(A vontade de rir – sem poder – foi tanta que eu quase engasguei.)

Depois deste dia, todo mundo do trabalho ficou sabendo da existência do site. Ou melhor, quase todo mundo. Todo mundo meeeeesmo, foi depois do Jô. Que por falar nisso, também rendeu outras histórias, inclusive burráldicas.

O EFEITO JÔ

Pois bem. Eu estava naquele momento me achando o supra-sumo do último biscoito do pacote importado: tava trabalhando com o que gostava (e ganhando bem), minha calça jeans um número menor tinha entrado, o site começou a bombar tanto que fomos convidadas para ir ao Jô AND o cara mais lindo-gostoso da face da terra estava me dando um mole FEDERAL.

Pois é. Logo eu, que adoro os esquisitos. Era algo totalmente novo pra mim, porque esse lindo me interessava! Era uma delícia aquela fase de paquera, de gracinhas, dicas sutis, olhares indecentes (ui!) e tremor nas pernas (porque eu sou uma Burralda tímida, né?).

O bichinho já tava quase-quase no ponto quando foi ao ar nossa entrevista. No dia seguinte, ele não olhou mais pra minha cara. Não falava no msn, não ligou. Estranho, muito estranho. As conversinhas animadas passaram a cordiais cumprimentos. Parecia que ele tava falando com a avó de um amigo. Passei bom tempo chupando o dedo e sofrendo da síndrome da burralda abandonada sem explicação. E aquilo tudo que esse lance prometia, nunca aconteceu.

Só mais tarde fui saber, por um conhecido em comum, que o lindo não sabia da existência do site até então e ficou assustado com aquilo tudo. Não assustado porque todo mundo tinha me visto na TV. O que o assustou foi o conteúdo do site. Diz que ele se sentiu um alvo em potencial (já que também descobri que ele era meio cafinha assumido) e deu pra trás. Como se, quando ele aprontasse algo, eu fosse correr pro site e contar tudo nos mínimos detalhes, incluindo nome completo, endereço, identidade, CPF e foto.

A decepção foi grande, mas foi melhor assim. Porque nesses cinco anos de MB, aprendi que se um homem tem implicância com o site, é porque tem culpa no cartório. Se não entende a nossa piada, é porque é burro (literalmente). E eu não quero nenhum desses dois tipos comigo.

*    *    *

A entrevista também surtiu outro efeito (contrário a esse), mas por hoje chega.

Qualquer dia conto mais, porque se deixar isso não tem fim!

Cafa que é cafa tem que tocar guitarra?

Num papo de bar com recém-conhecidas, discutíamos o fato de todo músico ser ou não ser CAFA. Umas declaravam repulsa ao tipo, por correr mais risco que a média de serem traídas. Outras, apesar da má fama de mulherengos dos mocinhos, admitiam o fato de se sentirem atraídas por músicos como insetos em volta da lâmpada. (O problema é que muitas vezes essa lâmpada é daquelas de açougue, que matam as coitadas das mosquinhas.)

Sei lá, eles realmente têm algo a mais que acabam encantando a gente. E vale ressaltar que não estou aqui falando só de músicos “famosos”. Não precisa aparecer sempre na ilha de Caras ou em clipes na MTV. Nem mesmo aqueles profissionais desconhecidos, mas que vivem da música. Pode ser qualquer um amador mesmo, se arranhar um violão e tocar em uma bandinha de garagem já tá valendo. Porque o que conta na verdade é o espírito da coisa, os gostos pessoais, o estilo e o jeito de ser da criatura. Isso já basta para gente querer bancar a groupie.

Se um cara “normal”te manda uma musiquinha bonitinha da moda (super batida e medíocre, clichezão mesmo) em mp3 pelo messenger, o músico vai ligar a câmera do MSN e te fazer uma “serenata” virtual ao violão, totalmente “live” (yeeeeaahhhh!), possivelmente com aquela música super cult e style. Se você der sorte e o bichinho estiver realmente a fim, pode até ser uma canção composta especialmente para você (suspiros…).

Se você namora um advogado, provavelmente ele vai usar aquelas roupinhas certinhas e comuns, iguais a todos os executivos, daqueles que caminham, apressados, pela Avenida Rio Branco, de terno, mesmo sob um sol escaldante de verão, como um exército de pinguins que se perderam do pólo sul e vieram parar nos trópicos. O músico vai usar roupas criativas, sejam de grifes caríssimas ou do camelô mais próximo, mas sempre fazendo parecer algo inovador e super “in”, se destacando das demais pessoas e demonstrando sua personalidade.

Mas é aquela coisa… Com tantos predicados assim, a espécie pode se tocar que ninguém vai resistir se “usar os seus poderes para o mal”…

O músico usa e abusa de toda sua criatividade e sensibilidade para ser altamente persuasivo na conquista de uma ou de um milhão, dependendo se sua índole. E vamos combinar que é difícil encontrar um músico “certinho”, porque a tentação é grande.

Se com uma pessoa normal você já sofre com a concorrência da mulherada querendo beliscar do que é seu, principalmente se o gajo for bonito, com um músico o buraco é muuuuuuito mais embaixo. A batalha é ainda mais acirrada, (pasmem!) mesmo se o dito cujo for bem feiosinho. Porque, nesse caso, o estilo, o charme e o poder de uma guitarra trazem mais benefícios do que uma plástica com Dr. Hollywood. Agora, se for músico e bonito, então, amiga… Presta vestibular pra Medicina que é mais fácil e relação candidato-vaga é menor, ok?

Com tanta chuva nessa hortinha, e com a velha desculpa de que a carne é fraca, o músico acaba tendo um alto índice de rotatividade e, consequentemente, aprontando bastante.

Já estava quase mudando minha frase cRássica para “Cafa que é cafa tem que tocar guitarra”, quando resolvi pensar com calma e amenizar um pouco…

Tudo no músico é “ÃO”: emoção, diversão, tensão (eu disse teNsão!), cabelão (ui!)… Na verdade, músicos têm todas as características de um homem “normal” intensificadas, sejam elas boas ou ruins. Cheguei à conclusão de que é por isso que eles acabam se destacando tanto e fazendo tamanho “estrago” ou marcando de forma definitiva a nossa vida.

Ou seja, existe a mesma probabilidade de você ser traída por um músico do que por um engenheiro. A diferença é que o engenheiro vai te trair com uma mulézinha normal qualquer, de modo discreto, e você será a última a saber. E o músico vai te trair numa orgia com meia dúzia de groupies piriguetes, todo mundo vai saber, e ainda vai tentar fazer você aceitar que tudo isso é normal… rs rs…

Ok, ok, eu tô sendo bastaaaaante exagerada no estereótipo. Mas é só pra ilustrar a diferença na intensidade e no sentido da coisa. Até porque, meu objetivo não é queimar totalmente o filme deles, mas só alertar que para encarar uma relação com um músico é bom estar preparada para tudo e gostar de fortes emoções. Se der errado, vai ser punk, tipo o pior cafa de todos os tempos. Mas se por acaso der certo, pode ser a melhor experiência da sua vida.

E aí, quem arrisca? ;-)