‘As Burrices’

Amor e música

Eu era apenas uma burraldinha quando me apaixonei pela primeira vez. Típica paixonite adolescente, daquelas que você, do nada, e sei lá o porquê, passa a achar aquele menino da escola ou do bairro o último biscoito do pacote.

Um belo dia, ouvi ele tocando “Patience”, do Guns n’ Roses. Lindo, terrivelmente lindo e perfeito aquele momento. A partir daí, a música, que na época estava entre as mais tocadas nas rádios e na então iniciante MTV, passou a fazer parte da minha vida quase que como sinônimo daquela pessoa.

Por extensão, Guns em geral foi a trilha sonora oficial do meu primeiro “amor” e “Patience” era tocada exaustivamente no meu walkman, Lembro que gravei uma fita cassete INTEIRA com a mesma música, só pra não ter o trabalho de ficar rebobinando. Era automático: bastava ouvir para lembrar dele e de tudo o que significava.

Quando a gente se interessa por alguém, geralmente acaba se interessando também por seus gostos e preferências musicais. E não é à toa, não é falta de personalidade, nem falta de criatividade. Isso acontece porque, simplesmente, as músicas acabam refletindo a personalidade de quem você ama. E, se você gosta da pessoa, acaba se identificando com as músicas.

É incrível o poder que a música tem de canalizar emoções e representar sentimentos, marcando-os na nossa memória. Qualquer elemento pode ter esse poder: filmes, perfumes, fotos, lugares, livros, até mesmo objetos simples como uma caneta ou uma peça de roupa. Mas, sem dúvida a música é dos mais poderosos nesse sentido.

A música é uma arte que expressa o que a gente pensa, sente e deseja. Assim, não teria arte mais perfeita para associarmos ao amor. As mais lindas letras de músicas, são de amor. Amor feliz, amor saudoso, amor trágico, amor inocente, amor carnal, amor imperfeito, amor de conto de fadas, amor real. São retratos de um momento, de um sentimento, de uma pessoa. Seja música erudita, heavy metal ou funk. Seja uma MPB classuda ou aquelas bregas de rádio AM. Qualquer uma pode ser a música “de vocês”.

Até hoje, quando ouço “Patience”, lembro daquela pessoa, daquele sentimento e de toda uma série de acontecimentos da época. Se bobear, até um sorriso bobo e um friozinho na barriga acabam rolando. E isso está longe de significar que o sentimento daquela época ainda existe. Apenas revela uma saudade boa de se sentir.

Meu último affair era meio da night e por isso a trilha sonora era “Push up on me”, da Rihanna. (Nem vou citar a “Dança do Créu” pra não ficar envergonhada.) Mas também tinha um momento relax, com “You give me something”, do James Morrison.

Há alguns meses não paro de escutar John Mayer… As letras são lindas e as melodias, incríveis. Uma das minhas preferidas é “Slow dancing in a burning room”. Será que vem algo por aí? ;-)

(Graças a Deus que até hoje nunca me apaixonei por uma pagodeiro. rs… Mas deixa eu ficar quieta, porque, como diz a minha mãe, a língua é o chicote do rabo.)

A outra

Jujumenta informa em edição extraORDINÁRIA. (Musiquinha do plantão da Globo…) Atenção, querida burralda! Se até hoje você não teve a desventura de descobrir que sua cara-metade tinha outra, prepare-se, pois mais cedo ou mais tarde isso irá acontecer. Isso quando você não descobre que você mesma é a outra! (Sim, porque a outra também pode ser tão inocente quanto a oficial.)

Tendo como inevitável a tendência dos homens à poligamia, eis algumas dicas de como saber que seu amor tem outra:

Calendário. Se você é a oficial, ele só sai com você no fim de semana, pois trabalha muuuuito durante a semana. E se você é a oficiosa, ele só sai com você durante a semana, pois no final de semana ele simplesmente desaparece… Nunca sai durante a semana e no final de semana, é um OU outro.

Inconstante. Uma hora ele está todo amoroso. No dia seguinte, frio e distante.

Cócegas. Ele fica com pavor de que você se aproxime do pescoço dele, com medo de deixar marcas roxas.

Celular I. Se você for a oficiosa, seu número nunca vai estar na agenda do celular dele. A desculpa que ele vai dar é que não precisou gravar lá, pois sabe o número de cabeça.

Celular II. Se você deixa um recado na caixa postal do tipo “vamos sair?”, ele te retorna e a primeira coisa que pergunta é “quem está falando?”

Celular III. Você liga e ele não atende. Na segunda tentativa, cai direto na caixa postal.

Celular IV. Quando ele está com você, o celular fica desligado.

Discreto. Insiste em te levar para lugares distantes de onde moram ou trabalham, para evitar que encontrem conhecidos.

Orkut. Observe mudanças repentinas no “relationship status” no perfil dele.

MSN. Às vezes, é o primeiro a falar com você, cheio de declarações e cheio de amor pra dar. Às vezes, desconecta assim que você fica online.

Esse foi só o começo. Só alguns exemplos de como você pode perceber que há algo de estranho no relacionamento. É só ficar atenta. E ficar atenta não significa ser maníaca-neurótica-ciumenta-possessiva-007. É só não bancar a idiota.

Mas, burralda que sou, acredito que ainda existam alguns raros exemplares do sexo masculino que não são adeptos à poligamia. Acho até que para facilitar a nossa vida, reduzindo marcas de expressão, gastrites nervosas e unhas roídas (manicure está uma fortuna!), deveríamos criar o SPMB – Serviço de Proteção à Mulé Burra –, onde poderíamos ter acesso a um cadastro de todos os caras que estão “sujos” na praça. Assim, já compraríamos o produto sabendo se tem garantia até a Copa de 2348 ou se tem algum defeito de fábrica, evitando grandes decepções. E decepções só nos fazem comer mais, dormir menos, e chorar ouvindo sertanejo. (Bleargh!) Senhor, livrai-nos deste mal. Amém.

 

PS: Desejo a todos nós um feliz 2009, com menos burradas e mais finais felizes. :-)

Trair e coçar

Todo ser humano que perambula pela face da Terra e tem ou teve algum relacionamento amoroso é certo que já esteve alguma vez envolvido em uma traição, seja de um lado, seja de outro, seja só na desconfiança. Porque SEMPRE vai ter alguém que não resiste à grama (ou seria pasto?) verdinha do(a) vizinho(a), do(a) primo(a), do(a) amigo(a), do(a) colega de trabalho etc. etc., e acaba caindo na maRdita tentação.

Homens e mulheres caem nessa (até porque eu não tô aqui pra defender ninguém, muito pelo contrário), mas o que sempre observo é que os motivos para entrar nessa, digamos, empreitada, geralmente são diferentes.

Mulher trai basicamente por dois motivos:

O primeiro deles é porque se “apaixonou” por outro. Ela tava lá bem e feliz da vida (ou não) com seu atual, mas apareceu aquele deus grego, fofo e inteligente que a deixou caidinha. Numa dessas, mete os pés pelas mãos e se mete num triangulozinho básico.

O segundo é pelo motivo mais burráldico que existe: vingança. Se a mulher descobre que está sendo traída por seu parceiro, muitas vezes consegue a proeza de se fingir de morta e pagar na mesma moeda. Mesmo que não conte nunca ao namorado, mas apenas por uma malévola satisfação pessoal. Olho por olho, chifre por chifre, fica tudo em casa.

Já os homens quando traem são menos específicos e menos complicados: querem mesmo é variedade. Simples assim, sem motivos escusos ou planos mirabolantes. O negócio é que eles simplesmente não conseguem evitar a atração pelo sexo oposto. É aquele esquema: se usa saia tá valendo. Tudo culpa daquela cabeça de baixo que funciona mais do que a de cima.

Resumindo: mulheres traem porque pensam demais, homens traem porque pensam de menos.

No final das contas, não importa a razão. O resultado da cagada mal dada é que fatalmente alguém vai sair machucado nessa história. Por isso ainda prefiro o galinha assumido ao certinho que te bota chifre pelas costas. Porque traição, sob o meu ponto de vista, não é estar com outra pessoa, mas pegar outra e fingir que não. Traição não tem nada a ver com promiscuidade, e sim com falta de verdade.

Não é querer dar lição de moral de ninguém, cada um é dono do seu nariz, sabe das consequências dos seus atos e cada um sabe da sua verdade. Mas é tudo tão complicado que é melhor evitar essa dor de cabeça. Portanto, queridos, se bater aquela coceirinha pra pular a cerca, é melhor tacar logo um Vodol antes que vire ferida.

Poltergeist

“Tudo que morre fica vivo na lembrança
Como é difícil viver carregando um cemitério na cabeça…”

Muita gente (principalmente homens inseguros) implica com o apelido clichê com o qual as mulheres batizam aquele ex que deve ser esquecido e/ou não traz boas lembranças: FALECIDO. Não acho linda essa nomenclatura, mas também não acho nenhum absurdo ou mesmo ofensivo. Ninguém ta desejando a morte literal da criatura, mas só desejando que ela “desencarne”, metaforicamente falando, da sua vida. É simplesmente algo do tipo “deletei fulaninho da minha vida” e não quero vê-lo nem pintado de ouro (mas se aparecer, até sou capaz se jogar uma moedinha pra ele se mexer).

Os falecidos podem ser elevados (hein?) a essa categoria fantasmagórica basicamente por dois motivos: ou você, mesmo terminado o relacionamento ainda gosta da pessoa e precisa evitá-lo a qualquer custo para não cair em tentação… Ou o dito cujo aprontou alguma boa e você passou a odiá-lo no nível de ter brotoejas só com a possibilidade de contato com o tal. Seja qual for a razão do “assassinato” mental, a finalidade é uma só: esquecer que aquela pessoa existiu. No entanto, assombração que é assombração acaba surgindo na nossa frente mais cedo ou mais tarde e nem adianta se benzer.

O fato é que essas assombrações nos perseguem, e se manifestam em qualquer hora e lugar, sem precisar de TV fora do ar ou brincadeira do copo.

Existem, em um nível de terror mais brando, as manifestações indiretas: coisas, situações e lugares que simplesmente vão te remeter àquela pessoa, e você transfere seu desespero para essas coisas. Dos presentes e das fotos você até consegue de desfazer e evitar aquela lagrimazinha sorrateira de amor ou de ódio. Mas, por mais que você tente abstrair, sempre vai passar aquele filme maldito (que assistiram juntos), tocar aquela música (do primeiro beijo) ou não vai ter desvio que evite passar em frente a casa dele pro resto da vida.

Pessoalmente, eu que sou uma pessoa super racional (aham) já cheguei ao cúmulo de jogar fora dois DVD’s. Por que não dei de presente pra alguém? Porque não adiantaria. O exorcismo não seria completo, entende? A pessoa iria perguntar porque estou dando e sempre ia lembrar me disso. Já é humilhante o bastante alguém não conseguir lidar com um simples DVD na prateleira. Seria lembrar toda hora que é burra, e isso só é divertido aqui no site, e não no seu quarto na hora de dormir, né? ;-)

Existem também as manifestações físicas, que envolvem contatos visuais com o dito fantasma. Outro dia presenciei uma manifestação física fortíssima. Estava na rua com uma amiga super certinha e careta. De repente, ela entrou correndo numa sex shop. Eu olhei prum lado, olhei pro outro e ela tava lá dentro, entre a seção de DVD e a de vibradores, com os olhos mais arregalados que já vi na minha vida. Deduzi logo: tinha visto um fantasma daqueles. O que leva uma mulher adulta, inteligente e bem resolvida a pagar um mico desses? Só mesmo essa nossa mania de nos apaixonarmos cega, surda e burramente.

O mais irônico dessas histórias de terror é que, por maior que sejam nossos esforços, esquecer mesmo, a gente NUNCA esquece. A gente pode até relevar e passar a conviver bem com nossos fantasmas, sem grandes sustos, mas eles nunca deixarão de existir.

Incoerência

Todo mundo diz que as mulheres são confusas, mas acho que os homens nos superam e muito! Pra falar a verdade, não sei exatamente se o que me incomoda é o fato de serem confusos, mas incoerentes. E esse é um sintoma ambíguo, cuja causa pode ser do destrambelhamento puro à maldade mais perversa em seus corações, o que o torna ainda mais perturbador.

Homens tem o hábito de flertar. Até então nada demais. Flertar com every fuckin’ mulherzinha na face da terra. Ok, (argh!) beleza, fazer o quê, se eles costumam pensar com a cabeça de baixo. MAS, cadiquê eles dão em cima até das que eles não tem o menor interesse em levar a coisa adiante? E, veja bem, não estou falando “levar adiante” no sentido romântico-psicótico do “viveram felizes para sempre”, mas no sentido de simplesmente querer dar uma pegadinha.

Veja se consegue visualizar. Um cara razoável vai chegando em você aos poucos. Fala bobagens bonitinhas, pega na mão, te elogia, olha, faz piada, manda diversos sinais (às vezes por meeeeeses seguidos)… E aí, quando você se enche de coragem pois se cansou daquele chove-não-molha (ou porque já caiu naquele conto do Vigário, ou porque simplesmente quer tirar a prova dos nove) e resolve partir pra algo mais ofensivo… o cara vem com aquela de não era bem assim, somos apenas amigos, você me interpretou mal minhas brincadeiras.

Como assim??? Claro, você que é doida e entendeu tudo errado. Você poderia até se conformar com a idéia secreta de que ele fosse gay, se não tivesse presenciado cenas que provassem o contrário.

Já vi acontecer isso com tanta gente ultimamente que estou com medo de que esteja acontecendo comigo. Cara, no meu tempo, esse papo de “estava só brincando” só servia quando eles davam em cima e não eram correspondidos, aí vinham com essa pra não fazer papel de idiota. Situação igualmente humilhante, mas que pelo menos faz sentido. Porque, só ser humilhada é uma coisa. Mas ser humilhada AND chamada de doida é muito pior, na minha humilde opinião.

Ou seja, chegamos a um ponto onde os homens dão em cima de qualquer coisa que use saia (até escocês) por puro esporte. Se vêem um poste, já levantam a perna mesmo sem estar com vontade. Atiram pra todos os lados, e nem tem aquele papo de o que vier é lucro, porque muitas vezes eles não querem que venha porra nenhuma. Vai entender. Freud deve explicar, porque eu não consigo.