Posts com a Tag ‘Felicidade’

Use

Sabe aquela roupa que você comprou em liquidação e nunca usou nem vai usar? Tire agora do armário. Doe para alguém que precisa, se for altruísta. Jogue fora, se for egoísta. Mas abra esse espaço no seu armário e na sua cabeça. Porque ter roupa e não vestir é o mesmo que não ter.

Sabe aquela bagunça de livros, cadernos, discos, filmes, maquiagem vencida e sapatos que você nem sabe que tem? Arrume tudo. Organize-se. Livre-se dos excessos. Saiba o que possui. Usufrua. Porque ter e não saber onde está é o mesmo que não ter.

Sabe aquele aparelho que comprou e está lá encostado pegando poeira porque você não sabe usar? Pois aprenda já! Não espere que uma alma bondosa venha fazer tudo por você. Leia o manual, pergunte, pesquise, futuque. Porque ter e não saber usar é o mesmo que não ter.

Sabe aquela roupa de cama bacana, aquele vinho importado e aquela lingerie rendada, eternamente reservados para uma data especial? Marque essa data agora, arrume o motivo, mesmo que seja apenas ser feliz. Porque ter e não desfrutar é o mesmo que não ter.

Use tudo. Não guarde nada. Nem pequenos rancores, nem grandes amores.

Viva sua vida. Não a deixe guardada no armário para depois.

closet

Dezembro

O fim de tarde quente e úmido brinda meu rosto com uma brisa morna, ainda assim agradável. Caminho devagar pela calçada, observando a decoração natalina de uma das casas, já acesa. A música caipira em um rádio ao longe faz companhia aos burburinhos dos pássaros e ao cantar de uma cigarra, ansiosa pelo dia seguinte de sol – ao menos assim dizia a minha avó.

As crianças brincam na rua em horário que seria escolar, não fosse o período de férias. Os meninos jogam futebol, interrompendo vez ou outra a pelada quando um carro passa pela rua de pouco trânsito. As meninas conversam em uma rodinha no portão da vila. Uma delas exibe um celular recém-adquirido, a única pista de modernidade nesta cena surpreendentemente bucólica para o Rio de Janeiro em 2009.

O céu que já estava escuro de nuvens carregadas, agora clareia-se com um relâmpago. A trovoada faz meu coração tremer. Não de medo, mas não sei explicar a razão. Fecho os olhos por um segundo e sinto as gordas gotas de uma água fresca molhando meu rosto, refrescando o calor de um dia inteiro.

Os meninos continuam a jogar bola. As roupas agora encharcadas e os gritos, juro, mais animados.  Esqueço de me proteger da chuva e, quando me dou conta, o que normalmente seria um martírio, se tornou um prazer, como foi um dia na infância.

Alguns momentos a mais e a chuva para. Outros mais e o sol, teimoso, resurge, se negando a admitir a noite. Finalmente, lembro-me de entrar em casa. É dezembro.

dezembro

Simplesmente

Leblon

Tem horas em que ser simples e simplista é o melhor para a alma.

Simplista como esquecer os problemas.

Simples como um domingo de sol.

Simplista como ignorar uma realidade chata.

Simples como um coração leve.

*   *   *

Sejam bem-vindos a minha casa nova.

Puxem uma cadeira e fiquem à vontade.