
Quando eu tinha uns 6 anos, contrariando a vibe Xuxa do momento, eu gostava de cantar Eduardo e Mônica. Eu sei, pode soar um tanto precoce. Mas quem irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?
Aos 12, Renato Russo virou Renatinho, tamanha intimidade com aquele cara que falava língua dos homens e dos anjos. Aos 13, tinha uma fitinha inteira gravada, lado A e lado B, para não ter que ficar dando rewind, com Sete Cidades em versão acústica. Aos 14, salvei um trabalho de grupo ao passar para uma folhinha de almaço toda a letra de Faroeste Caboclo, todos os 159 versos, que sabia de cor. Aos 15, uma cópia manuscrita da letra de Acrilic on Canvas virou carta de amor – contra a vontade, mas com toda verdade do mundo. Aos 16, vi o futuro passar diante dos meus olhos ao som de Vento no litoral. Aos 17, comprei minha primeira – e acho que única – camisa de banda. Aos 18, chorei a morte de um amigo. Porque eu sou durona, não choro por ídolos. Não sofri pelo cantor do rádio e da TV: chorei a perda de alguém com quem havia vivido todos aqueles momentos. São dele os CDs caça-níqueis póstumos que eu ainda compro, mais por sentimentalismo que por qualquer outro motivo. Foi dele a primeira biografia que eu li. Eu, que não gosto muito de biografias
Faz tempo que eu andava em um clima internacional, só ouvindo gringos. Agora, com 16 GB disponíveis para música no bolso, resolvi passar para mp3 toda a minha coleção empoeirada de CDs da Legião. Já tinha me esquecido o tanto que eu gosto de música nacional e o quanto me faz bem ouvir Renatinho.
Sei que hoje em dia é brega gostar de Legião. Aquelas pessoas que odeiam rodinha de violão é que devem ter ditado essa moda. Mas eu gosto. E daí?
Eu gosto do que é simples e sincero e não estou nem aí pra ser cool.

