Pecado

Me espanta o desejo torto. Me desarma a mão que aperta a cintura. Me amolece a respiração próxima. Me tortura a boca na nuca. Me alivia a ausência de palavras. Mas me tomam de assalto olhos que dizem tudo.

Me surpreende a vontade censurável. Que vem aos poucos. Que devora suavemente. E somos obrigados a deixá-la quietinha. Guardada em um cantinho da gente. Detida e condenada a não poder existir. Sabemos que ela existe, mas fingimos que não. Pecado maior a vontade ou o fingimento?

O que mais brilha é o que não se pode ter.

(Que ninguém nos ouça.)

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