Barbie sem sapatos

Estava lembrando de um costume engraçado que eu tinha quando era criança. Passava horas brincando de Barbie. Adorava aquelas roupas chiques, vestidos longos, sapatos dourados de salto altíssimo, todo aquele glamour… Na hora de guardar a bagunça, eu arrumava a boneca, penteava, vestia, mas tirava os sapatos. Uma vez, minha mãe me perguntou pq eu fazia isso. Eu disse que era pq ela já tinha ficado muito tempo com aquele salto alto e merecia um descanso. Acho que eu tinha uns cinco, seis anos. E, obviamente, nunca tinha andado de salto alto.

Hoje, muita gente me chama de Barbie. Deve ser pq adoro um salto alto e umas roupinhas fashion. Sem contar o cabelinho amarelo. E o nariz em pé – que não é forçado, é só uma questão de genética. Mas que ninguém se engane: nunca fui e nunca serei uma pessoa metida. Não ligo pro que os outros pensam de mim. Faço o que quero, o que gosto, o que me faz sentir bem. E ponto final.

Gosto de lugares sofisticados. Odeio garçons. Gosto de comidas finas. Mas não resisto a um pastel podrão de setenta centavos, em pé no balcão do Rico’s. Gosto de roupas caras. Mas compro até em camelô. Acho que aí é que está a questão. Tudo tem a sua hora certa, o seu momento. Sempre chega a hora que cansamos do belo e do fútil e queremos o fácil, o simples. Sempre chega a hora em que a Barbie precisa descansar do salto alto.

Hoje estou descalça, com os pés bem no chão – em todos os sentidos… E extremamente feliz assim.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Publicado em Crônicas e Contos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *