Entrelinhas

Toca o telefone. Um certo nome pisca no visor. Chamada entrando. Suspiro.

– Oi!
– Oi…
– Tudo bem com você?
– Tudo certo…
– Certo? Que coisa mais triste…
– Por que certo tem que ser triste? Que idéia!…
– Não sei. Só senti isso.
– Então sentiu errado. – Odeio o modo como você me lê por dentro.

Silêncio.

– Em que você está pensando?
– Em nada. – Que eu nunca vou dizer que sinto sua falta.
– Essa foi a coisa mais fria e mentirosa que você já disse.
– Não sou fria, sou realista, já disse. E quem é você pra fazer apologia da verdade?
– …
– Ainda está aí?
– Eu não sou perfeito…
– Ninguém é. – E eu gosto de você mesmo assim.

Pausa.

– Estou com saudades de você…
– Eu também. – E do seu beijo. E do seu cheiro. Do seu jeito de me olhar quando falo besteira. Do seu jeito de desarrumar meu cabelo. Dos seus planos malucos. Saudade até do que você não sabe, do que você nem lembra. – Mas agora é tarde. Você que foi embora – na hora errada -, lembra?
– …
– Preciso desligar agora…
– A gente se fala, então.
– Tá bom. Beijo…
– Um beijo. Tchau.

End. O visor do celular ainda nem tinha apagado quando a lágrima furtiva deixou revelar, apenas por alguns segundos, a verdade por trás daquela máscara de orgulho e de ressentimento.

* * *

Que caiam todas as máscaras.

Bom final de semana pra vocês!

Atualizando: Esta é uma “obra” de ficção. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais terá sido mera coincidência.

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Publicado em Crônicas e Contos.

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