Sabe aquela do papagaio?

Não faz muito tempo, conheci José, um louro que era simplesmente um espetáculo. Toda a mulherada lá do trabalho era louca por ele. Rolavam altos comentários sobre o moço, que diziam já ter bicado até a poderosa chefona da empresa. Sim, pois o louro José fazia jus a suas parentes penosas e era um grandessíssimo galinha.

Entretanto, eu via José todos os dias, e apenas trocávamos alguns poucos olhares e tínhamos conversinhas amenas típicas de escritório, que iam de reclamar do ar condicionado quebrado a fazer piadas com algum coitado que deixasse o banheiro com odor da Baía de Guanabara próximo à ilha do Fundão. Até que, num desses blá-blá-blá, louro José me convida para almoçar. O convite foi bem casual e displicente, mas senti de cara que ele não queria simplesmente uma companhia para bater um rango no 1,99 mais próximo.

Após alguns dias de maior “intimidade” com o moço, ele começou a botar suas asinhas de fora. Primeiro, um e-mail dizendo que eu estava linda com a roupa tal. Depois, me liga fora do horário do expediente e dizendo que queria me ver fora da empresa, que estava com um problema e precisava de uma “amiga” para desabafar. No dia seguinte, saímos do trabalho direto para um barzinho próximo.

Louro José então se declarou apaixonado por mim. Disse que, desde que me viu pela primeira vez, não conseguia pensar em outra pessoa. Que ele era galinha, sim, mas porque não havia me conhecido ainda. Que eu era a mulher que ele sempre tinha idealizado, mas nunca encontrado. Que eu o fazia rir. E que havia sonhado na noite anterior que eu ia embora pra muito longe, sem que ele tivesse tempo de ao menos se aproximar de mim. E por isso tinha resolvido arriscar tudo de uma vez e se declarar.

Ahhhhhhh… Que fo-fo! Me senti………… Naquela noite, nos despedimos com um beijo no rosto. Mas os olhos dele brilhavam, parecendo dizer “se te pego, te depeno toda”. (Ui!) Passei a noite achando que havia encontrado o pote de ouro no final do arco-íris. No dia seguinte, resolvi contar a novidade pra uma amiga que trabalhava em outro setor.

– Juju, mas o louro José??
– Ah, eu sei que ele tem uma certa faminha de pegador… Mas eu nem tô pensando nisso. O que importa é que ele é um cara legal, passamos uma noite ótima. Que mal há em tentar? E ele me falou umas coisas tão lindas ontem. Se ele só quer me comer, pelo menos acho que se empenhou nisso… rs…
– Mas o que ele te disse?
– Ah… Umas coisas… Que desde que me viu pela primeira vez, não conseguia pensar em outra pessoa, que tinha sonhado comigo, que eu ia embora…
– Sem que ele tivesse tempo de ao menos se aproximar de você? E por isso tinha resolvido arriscar e se declarar?

(Pára tudo e volta a fita. COMO ASSIM?)

– COMO você sabe???
– Por que ele falou e-xa-ta-men-te as mesmas coisas pra mim há dois meses, antes de eu DAR pra ele.

(TAQUIPA.)

Poizé. O dito cujo além de galinha era um papagaio mesmo. Desses que não pensam pra falar, só repetem. Um tempo depois, fiquei sabendo que ele contou o mesmíssimo papo pra uma terceira pessoa. Porra. Atenção, comedores do meu Brasil. Se você quer só comer uma mulher, tudo bem. (Até a gente às vezes só quer isso). Mas PELO MENOS se dê ao trabalho de conquistá-la com um papinho personalizado. Não somos todas iguais e picaretagem tem limite.

Jujumenta

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Publicado em www.MuleBurra.com.

Um comentário

  1. Ué, alem de cafas, bonitos e bem-falantes ainda têem de ser inteligentes? KKKKKKKKKKKKKKKK!!! Ora vão se enxergar. Já que se negam a enxergar eles.

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