A fogueira das vaidades

Amar é lindo. Mas, antes de qualquer coisa, amar é COMPLICADO. Complicado porque amar, para a maioria de nós, não envolve apenas gostar ou não de alguém. Antes, durante ou depois de algum relacionamento, as pessoas se deixam guiar, mesmo que inconscientemente, por sentimentos não tão nobres assim. Tenho pensado muito sobre isso ultimamente. Exemplos? Vamos lá.

ORGULHO
Você foi corneada. Sacaneada. Humilhada. Após o tempo máximo de fossa aceito pela sociedade, o orgulho te obriga rapidamente a fingir que está tudo bem. Você vai fazer ioga, aula de tricô e crochê, ou qualquer outra coisa que te ocupe o tempo e a mente. Você muda o visual, compra uma roupinha nova, e liga pro seu estepe predileto, planejando fria e milimetricamente o dia em que você vai voltar a ser feliz. MAS as coisas não funcionam assim. Por mais que a gente tente, o coração não acompanha a cabeça. Aí, mesmo não dando certo todo o esquema, você continua com o teatro, sofrendo com o nariz em pé. Esse maldito orgulho faz com que sintamos a OBRIGAÇÃO de estar bem perante a família, o círculo de amizades e, principalmente, perante o dito cujo que te botou o par de chifres. Mesmo se sentindo um cu com hemorróidas. Mas pisando na merda de salto alto. (A gente devia ter o direito de chorar sem ser taxada de ridícula.)

EGOÍSMO
“Somos muito diferentes.” Quem nunca ouviu isso? Mas péra aí. Desde quando o diferente é ruim? O problema é que as pessoas encaram diferenças como defeitos. E não é bem por aí. O amor verdadeiro deve ser generoso, não pode exigir nada de ninguém. Mas quem gosta da gente sempre quer que sejamos aquilo que eles querem, e não aquilo que somos. Podemos, sim, fazer concessões em nome do amor, mas nunca devemos deixar de ser a gente. Se eu posso mudar alguma coisa que você não gosta, porque você não pode ceder um pouquinho também e aprender conviver com aquele defeitinho? As pessoas têm que deixar de ser egoístas: querem alguém que, não só não tenha problemas, como tenha as soluções para os seus. Você me quer, baby? Então me ame com minhas qualidades e com meus problemas. Não é nem questão de amar APESAR dos defeitos, mas amar TAMBÉM os defeitos.

VAIDADE
Ele terminou com você. Mas te trata super bem, sempre dando a entender que podem voltar a ficar juntos. Maldade? Não, os homens não são TÃO cruéis assim. E, sim, VAIDADE! Ele na verdade só quer te deixar sob a influência dele, dependente, sob seu controle; tipo uma TV em stand by que ele pode ligar quando não tiver nada melhor pra fazer. Ou, simplesmente, pra sentir que você ainda gosta dele: ele não te quer, mas quer que você fique com ele na cabeça. (Quando tudo que você queria era estar na cabeça dele – de preferência, nas duas! Hehehe…). Vai entender… Coisa de homem com o ego maior que o pinto. Portanto, não se iluda: se ele quisesse estar com você, ele estaria.

A verdade é que as pessoas esquecem o sentimento por si só e não amam por amar. Amar não é competição. Mas ele ama porque todos também a querem. Amar não é inveja. Mas ela ama o seu namorado, só porque ele é SEU. Amar não é vaidade. Mas ele te ama porque já comeu todas, menos você.

Por que ele te enrola? Vaidade! Por que você prefere terminar um relacionamento a terminarem com você? Vaidade! Por que você finge que está bem mesmo despedaçado por dentro? Vaidade! Por que você não liga pro cara mesmo morrendo de vontade? VAIDADE! Aí, o amor deixa de ser só sentimento e começa a virar jogo. E um jogo onde todos perdem.

Cansei de jogar, porque cansei de perder. Não sei se é ser utópica (leia-se burra) demais, mas eu quero um amor sem competições, sem orgulhos bestas, sem egoísmos, sem blefes ou cartas na manga. Sim, eu tenho medo, mas quero aprender a me entregar sem “poréns”. (E quero alguém que se entregue também.) O “talvez”, o “se” e o “mais ou menos” não deveriam fazer parte do vocabulário sentimental. Afinal, amor é “sim” ou “não”. E eu quero um amor incondicional.

(Será que isso existe? Será que eu sou deste planeta?)

Jujumenta

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Publicado em www.MuleBurra.com.

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