Os batedores de carteiras

(Ou: momento novela das oito)

Preocupada com a reputação das burraldas que têm falado muito sobre a burrice (ou não) de ser a outra, resolvi mostrar que nós também (e principalmente) estamos do outro lado e voltar ao tópico primitivo deste site: ser chifrada.

Quem assistiu “Belíssima” esta semana sabe do que estou falando. Quem não viu (né, Id?) também vai compreender rapidamente aonde quero chegar.

Resumo rápido dos fatos: “Zúlia” (Júlia), chega em casa depois de uma viagem rápida e pega André (marido-cínico-bonitão-pilantra-falso-escroto-sorriso-de-monalisa-filho-da-puta-tá-bom-chega) com Érica, sua filha, na (sua) cama num soninho “gotoso” pós-coito.

Júlia parte pra cima da filha, esbofeteando-a:
– Sua piranha!

E de André, também enfiando a mão na cara dele
– Seu canalha, falso!
– Saiam os dois daqui! Saiam do MEU quarto, da MINHA casa, seus traidores!!!

Mas depois dessa breve demonstração de coragem, burralda Júlia, a quem vários amigos e familiares já haviam tentado – em vão – alertar sobre o caráter duvidoso do maridinho, cai num choro copioso e desesperado, enquanto grita com as forças que lhe restam:

– Burra! Burra! Burra! Buuuuurra! Como fui burra!

(Ahá! Olha o nosso “merchand” em horário nobre mais uma vez! :-P)

Mas que a traída (ou traído, não compliquem) é burra todo mundo já sabe e concorda. Seja por realmente ter sido cega diante da realidade que esfregavam em seu nariz, seja apenas pela sensação de burrice que bate no momento da descoberta, mesmo que o traidor tenha sido muito “ixperto” e nunca tenha dado o mole de deixar pistas.

A grande questão aí é a dor desse momento do flagrante. Pior que torcer o joelho, pior que quebrar o pé, pior que cólica menstrual sem analgésico. Até chute no saco deve doer menos. Estou comparando dessa maneira porque a dor de VER a pessoa que você ama te traindo assim, sem aviso prévio ou anestesia, extrapola o nível sentimental e chega a ser física. Em nenhuma outra circunstância aquele ditado do tempo da minha avó que diz que “aquilo que os olhos não vêm o coração não sente” se encaixa tão bem.

A gente devia ser informada de que é corna somente por telefone, fax ou e-mail (sem fotos). Sem qualquer contato visual. Sem escândalos em público. Sem cenas de novela.

A propósito, voltemos ao folhetim global. Depois do barraco, a personagem da Cláudia Abreu (não assisto TANTO a essa novela… rs…) vai conversar com Júlia. E o texto da cena foi belíssimo – sem querer fazer trocadilho. Ela consola a amiga dizendo que pessoas que fazem maldades desse nível, que traem, que enganam, são apenas como ladrões. Elas podem até te esvaziar a carteira sem que você saiba. Você sofre ao descobrir. Fica com raiva. Mas vai trabalhar duro, vai encher novamente a carteira e, quando se der conta, sequer vai lembrar que foi assaltada. Ele? Continuará sendo para sempre apenas um batedor de carteiras.

Tudo lindo na teoria. Será que é assim também na prática? Será que demora muito? Um dia descubro. Por enquanto, ainda não funcionou comigo. E olha que eu sou uma pessoa TÃO tonta, que não consigo guardar esse tipo de rancor por muito tempo e, depois do delito, rapidamente acabo perdoando o meliante. Mas acredite, a dor permanece comigo. Todas permanecem. Umas maiores, outras menores. Por mais que eu tenha minha carteira novamente recheada. Mesmo que eu ganhe na Mega Sena. Ainda serei pobre sem AQUELA moedinha de estimação.

Antes que eu fique melancólica demais, vamos finalizar zoando esta porra com uma enquete básica:

Qual será o grau de burrice da burralda Júlia da novela das oito? Qual será o grau de lábia e de filhadaputisse de André? Será que ele vai continuar tentando convencê-la de que “não foi nada disso que você tá pensando” e de que “isso não significou nada pra mim, eu ainda amo você”? Será quanto tempo ela resiste? Será que ela volta?

Enfim, nossa amiga Júlia terá opções a sua frente. Ela terá a opção de decidir/constatar se é uma burra ou se é uma ignorante. Porque ser burro é humano. Mas insistir na burrice? Ah, vai se fuder! (No mal sentido.)

Jujumenta

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Publicado em www.MuleBurra.com.

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