Filosofia barata e sentimental gratuita

Todos os dias milhões de pessoas levam (ou dão) um pé na bunda. Romances acabam. Casos terminam. Inúmeras separações definitivas ou mal resolvidas. Exemplos não faltam. Tá tudo aí, na nossa cara. É só olhar pro lado, pro amigo, pro vizinho, pro primo de terceiro grau ou mesmo pro próprio umbigo.

O fim de um relacionamento, muitas vezes desastroso, deixa marcas em qualquer ser humano minimamente sensível. Acredito que nenhum ser humano tem sangue de barata. Se você tiver, colega, compra logo um Baygon e se mata, porque você não é gente. Se você estava junto, é porque gostava. E se você perde algo que gosta, você sofre. Tira o pirulito (opa!) de uma criança pra ver se ela gargalha de felicidade?! Guardadas as proporções de cada caso, a lógica (óbvia) é sempre essa.

Você gosta(va) de alguém e não o tem mais? Você foi chifrada? Dói. Você foi largada? Fere. Você ainda sente a marca da sola do sapato latejando no traseiro? Pode comprar um Gelol, porque isso machuca. Você vai chorar, vai gritar, espernear, xingar até a quinta geração daquele filho da puta dos infernos que te fez tudo aquilo de mau. Vai sofrer porque ele te destratou, porque brigaram, porque ele te humilhou, porque ele te manipulava, por que ele tinha outra, porque você descobriu que era a outra, porque ele disse que ia ao futebol e foi encher a cara com umas barangas, porque descobriu que ele comeu sua prima… Vai sofrer até se ele simplesmente pisou no seu dedinho do pé esquerdo.

A grande questão é que, às vezes, a gente não consegue se importar com as merdas que a pessoa fez e nem lembrar de seus defeitos. Às vezes, pouco interessa quem pulou fora, de quem foi a culpa do fim, porque sempre temos a sensação de que poderia ser diferente – mesmo sendo o fim absurdamente necessário. Às vezes, sofremos menos com as coisas explicitamente erradas e mais com a possibilidade de que toda a parte boa pode não ter tido a mesma importância para o outro. Às vezes, dói mais a lembrança de uma falsa promessa que não se cumprirá do que a mentira em si. Não é o erro que incomoda. É a falta que mata – mesmo que ele tenha comido a tal prima e pisado no seu dedinho.

Portanto, amiga burralda, se você morre de raiva porque ele não vai mais mexer no seu cabelo… Se só de lembrar do cheiro dele, você tem vontade de bater com a cabeça na parede ou de procurar um pastor pra tirar o demônio desse corpo que não o pertence… Se você tem vontade de gritar quando lembra das bobagens que falavam juntos… Se você tem vontade de socá-lo cada vez que o reencontra, não pelo que aconteceu, mas pelo que não vai mais acontecer…

Você ama(va) alguém. E não o tem mais.

* * *

Mas, como diria uma certa burralda-poeta: “Não é você que eu quero de volta, é a minha saudade que precisa ir embora.”

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Dica de burralda: Assistam ao filme Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Foda.

Jujumenta

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Publicado em www.MuleBurra.com.

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