Amar, verbo intransitivo

O nome deste site afirma que as “muléres” (e homens – se não captou isso ainda, sua ignorância é maior que sua burrice) são burras quando o assunto é amar. Eu já disse também que o amor é que é burro, por nos deixar, homens e mulheres, tão vulneráveis, crédulos e irracionais. Sinceramente? Não sei mais. Acho que definitivamente a burrice está em tentar entender.

Cada vez mais eu tenho certeza de que não sei o que é o amor. O amor é vasto e complexo demais para que alguém possa afirmar que o compreende na sua totalidade. O amor é tão incompreensível quanto uma equação logarítmica. É mais fácil decorar todas as declinações do latim. Mais fácil aprender “japonês em braile”.

Porque entender o amor é entender o ser humano. E, na boa, isso nem Freud explica. Somos complicados, inconstantes, egoístas. Mas também somos frágeis, inseguros, inexperientes. Queremos agora. Queremos pra sempre. Queremos só hoje. Queremos nos entregar. Queremos possuir. Queremos à nossa maneira. Queremos o que não temos. Queremos quem está ao nosso lado. Queremos quem está em outro continente. Queremos o óbvio. Queremos o impossível. E, muitas vezes, nem sabemos o que queremos.

Porque amar não é saber. Não é entender. O amor real é o sentimento mais imprevisível e imperfeito que existe. A maioria das pessoas não encontra seu par perfeito para ter uma vida conjugal linda e maravilhosa de comercial de margarina até completarem bodas de ouro. Sim, ele vai roncar. Sim, ela vai gastar muito. Sim, ele vai olhar pra outra. Sim, ela vai ter o dobro de celulite em dez anos. Sim, vocês vão brigar porque o carro apareceu arranhado e vão ficar trocando acusações até descobrirem que o culpado foi o filho do vizinho de 5 anos com sua bicicleta.

Mas a perfeição amor-alma-gêmea-príncipe-encantado-viveram-felizes-para-sempre é chata demais. Então, quem se importa? Alguém deixa de amar por isso?

O amor também é perigoso. E adoramos correr esse risco. Como disse uma vez o Arnaldo Jabor, existe sexo seguro, mas não há camisinha para o amor. Não há como não arriscar. Não há como prever e planejar tudo. Não há como se proteger de algo desconhecido.

Porque amar é ir ao cinema de mãos dadas. Mas também é achá-lo(a) lindo(a) acordando com a cara amassada e cheio(a) de remela. É gostar de estar junto só por estar junto: o amor não precisa de ações ou de palavras. Amar é correr na praia deserta em slow motion. Mas também é ter medo. É ter dúvidas. É tentar consertar as coisas. Mas também é fazer tudo errado. É chorar ouvindo música de dor de cotovelo. É romper barreiras. É achar que vai dar tudo errado. Mas também é quebrar a cara e continuar tentando.

O amor não tem regra ou razão. Mesmo que dê tudo errado. Mesmo que dure pouco. Mesmo que nem comece. Ou que dure pra sempre. A única certeza é que, dentro de nós, temos todos os sonhos do mundo. Mesmo que eles não se realizem. Só esse desejo é suficiente. A graça está na viagem de ida, não só na chegada.

Parece complexo, eu sei. Mas sua simplicidade está no sentir. Amar é amar e pronto. É assim, verbo intransitivo. E basta.

Jujumenta

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Publicado em www.MuleBurra.com.

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