Conflito de interesses

Desde que o mundo é mundo, homens e mulheres sofrem pelo simples (simples?!?) motivo de terem diferentes objetivos em um relacionamento. As mulheres geralmente querem compromisso, ou, no mínimo, um romance bonitinho. Os homens dificilmente querem o tal do compromisso sério, alguns chegando ao ponto de querer só a sobremesa, sem jantar e, se possível, sem pagar sequer a conta. (Sim, estou generalizando, mas estou amarga demais para ser politicamente correta.)

Chegam a ser bizarras as situações às quais nos submetemos para termos aquilo ou aquele(a) que queremos.

As mulheres modelo 1.0 standard (padrão) querem compromisso, namoro firme, casamento, filhos, um cachorro no quintal e um pingüim (mesmo que não saiba sapatear) na geladeira. Os homens do mesmo modelo-padrão fogem desse tipo de vida como o diabo foge da cruz, ou então querem logo encontrar uma otária dessa mesma espécie para ser a titular pra poder ter o gostinho de poder ter tantas “outras” quanto quiser e, ainda, depois de pegar umazinha qualquer, poder voltar para casa para jantar, tomar um banho quente e ter uma boa companhia para poder dormir – literalmente –, seguindo o exemplo do nosso amigo Alfie.

Também existem aquelas mulheres que no fundo querem ter um relacionamento sério e estável, mas não conseguem porque não esbarram com os raros espécimes masculinos que queiram isso (de verdade), acabam se fazendo de moderninhas e desapegadas, mesmo que inconscientemente, para terem pequenos e insignificantes romancetes de boteco. (Aliás, “romancete” rima com bracelete, com rima pobre e tudo. Mas isso não vem ao caso.) E como esses romancetes ficam em segundo plano, outras coisas passam a ter importância redobrada. A mulher pira e se joga de cabeça no trabalho/estudo (e viram super-mulheres inteligentes, bem sucedidas – e amargas), na malhação (não para ficar mais atraente ou mais saudável – mas para ficar mais bonita que as amigas), ou então na parede mais próxima mesmo.

Do mesmo modo, homens simulam querer ficar realmente com alguém, iludem e inventam histórias mirabolantes para conquistar/manter uma mulher, apenas porque não conseguem ficar sem trepar ou mesmo porque não são seguros o suficiente para ficarem tipo UMA SEMANA sozinhos. O que eles não entendem é que, desse modo, estão enganando principalmente a si mesmos. Traduzindo, eles também não estarão tendo exatamente o que querem. Sim, porque se eles não querem compromisso, imagina que pé no saco (segundo esse ponto de vista) deve ser ficar inventando desculpas, aturando situações desagradáveis como ter que levar ao cinema antes de comer, e encenando todo um teatro de que está pagando paixãozinha?

Não estou aqui defendendo um e condenando o outro, até porque, às vezes (muuuuuuuuito às vezes), o homem quer o compromisso e a mulher quer vadiar por aí. (Na verdade, mesmo amarga não consigo ser injusta.) Não é uma questão relativa ao sexo, mas ao conflito de interesses.

Assim, a questão é:
Por que é tão difícil encontrar alguém que simplesmente queira a mesma coisa que a gente? Não digo ser exatamente igual, mas apenas ter um objetivo minimamente compatível com o nosso para que fossemos mais facilmente felizes e, principalmente, que não nos decepcionassemos tanto com as pessoas. A vida seria bem mais simples se fossemos hermafroditas. Mas também muito mais chata. Então, como conviver com um ruído de comunicação que mais parece uma britadeira? Não sei você, mas eu não consigo nem dormir. Se tiver um tapa-ouvido, me liga.

Jujumenta

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Publicado em www.MuleBurra.com.

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