Pequeno Dicionário de Cafajestês – Volume 2

Best seller que é best seller tem que ter continuação, certo?

Então vamos à segunda parte deste que é o livro de cabeceira da burralda moderna, que só se deixa enganar se quiser!

“O que você tem feito de bom?”

Se o bichinho for esperto ou simplesmente não quiser ser direto para obter informações sobre a sua pessoa, essa frase é um excelente recurso. Lógico que sua resposta (atuais compromissos, baladas e afins) vai dedurar se você tem compromisso ou se está soltinha na marola. Traduzindo para o bom burraldês, significa: “tá disponível?”. Mas qual a vantagem? Ele não poderia perguntar diretamente? Pô, burralda? E quanto a desperdiçar munição? E quanto a se queimar cantando à toa? Tem muito cafa-preguiçoso por aí. O estilo Jaiminho, está definitivamente em alta.

“Queria tanto te ver hoje.”

Não querendo dar uma (opa!) de professora, mas já dando (oooooooooopa!)… O pretérito, por si só, é um tempo que indica uma ação anterior ao momento em que se fala. Ou seja, o “querer” tá no passado – já foi, baby. O agravante, na frase citada é que, por se tratar de um pretérito IMPERFEITO, o verbo indica que a tal ação passada ocorre simultaneamente em relação a outro fato. Tradução? Enquanto ele quis te ver, algo aconteceu. OU SEJA: aguarde pelo MAS logo na sequência. Queria te ver, MAS meu carro quebrou. MAS o primo do chefe do meu vizinho morreu. MAS eu tenho coisa melhor pra fazer. Preciso DESENHAR pra que você entenda que ele não quer mais sair com você hoje?

“Não se deixe influenciar pela opinião das suas amigas.”

Ser volúvel, fraca e influenciável é uma coisa. Mas ignorar o óbvio e não ouvir opiniões (para tirar suas próprias conclusões) é outra. Uma frase desse tipo só indica que quem está tentando te influenciar com uma lavagem cerebral é ELE. Com certeza será pronunciada após a realização de alguma cagada, e tem como objetivo evitar que as pessoas que gostam de você saibam o que ele fez e ajudem a enxergar uma situação evidente. Uma amiga burralda já me falou uma vez: uma coisa que você tem que esconder/omitir de seus amigos ou da sua família nunca é uma coisa legal. Cada sabe o que é melhor para si. Certo? Então porque você não pode ouvir o que os outros acham, mas deve ouvir justamente ele? Hein? Hein?

“Te adoro!”

Acabou de ouvir a pérola e ficou toda-toda, se achando a última cereja do bolo? Pode ir tirando o sorrisinho do canto da boca, porque a suposta manifestação de carinho é a mais ambígua e, consequentemente, a mais eficiente de todas. Por quê? Porque a frase pode significar tudo, mas também pode não significar absolutamente nada. Pode querer dizer desde “te acho bacaninha e quero te dar uns peguinhas” até “você é a mulher da minha vida, quero passar o resto da vida contigo”. Como todo homem que tenha o mínimo de vergonha na cara e seja sincero, na segunda hipótese, optará pelo “eu te amo”, encare a triste realidade: você está diante de um cafa. Se a intenção do sujeito estivesse longe disso e também se enquadrasse no tipo sincero-com-vergonha–na-cara, um “gosto muito de você” bastaria. Porque “te adoro”, amiga, você falava é pra sua coleguinha de classe da quarta série no depoimento escrito na agenda.

(Continua…)

Jujumenta

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Publicado em www.MuleBurra.com.

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