Era uma vez…

Era uma vez uma menina que adorava brincar com bolhas de sabão. Ela era fascinada pela beleza daquelas frágeis bolinhas transparentes. Aquele brilho multicolorido que flutuava diante de seus pequenos olhos fazia com que brotassem gargalhadas de felicidade. A brincadeira era a única coisa que a deixava realmente feliz.

Um dia, a menina percebeu que tudo aquilo que ela mais gostava era efêmero demais. As bolhinhas sempre se desfaziam rapidamente, fosse no choque com algum obstáculo, fosse se dissipando no ar. Isso a deixava muito triste, pois ela queria gargalhadas que durassem a vida toda.

Então, a menina resolveu não brincar mais. Guardou seu último restinho de sabão e jurou que só o usaria novamente quando inventassem um jeito de fazê-las durarem para sempre.

Todos os dias, a menina saia de casa e sentava na calçada. Ficava ali, horas a fio, vendo as outras crianças brincando, fazendo bolhas e mais bolhas sem se preocupar se elas acabariam ou não. Ela gostava de assistir, mas isso não a fazia sorrir.

Até que um dia, um menino sentou ao seu lado. Ele perguntou porque ela não brincava como os outros. Ela contou seu medo. Ele, então, disse:

– As bolhas nunca serão para sempre. Você não pode deixar de brincar por causa disso.

Ela sorriu pra ele. Sim, ele a fez sorrir. E, ao sorrir, ela pensou que não eram só as bolhas que poderiam fazê-la feliz.

Assim, ela pegou o vidro com o restinho de sabão que havia guardado e fez muitas bolhinhas, bolhas pequenas, bolhas grandes, coloridas e brilhantes, que voavam longe. Ela ria, gargalhava no meio de tantas bolhas. Algumas pipocavam em seu rosto, outras explodiam em seu vestido enquanto ela rodopiava.

Ela rodava, rodava, de olhos fechados, rodava, sentindo o vento nos seus cabelos, rodava, gritando de felicidade, rodava, até que caiu no chão, tonta de alegria. Olhou para cima, e, entre os fortes raios de sol, ainda viu, por instantes, algumas últimas bolhas que teimavam em não desaparecer. A menina ria tanto, que nem se deu conta de que havia gastado até a última gota do sabão.

Depois de retomar o fôlego, a menina levantou. Olhou para cima. Percebeu que não havia mais bolhas. Olhou em volta e viu que estava sozinha. O menino não estava mais lá. Olhou para o chão. Viu o seu vidrinho de sabão vazio.

A menina sentou na calçada. E chorou.

 

* * *

PS1: Somos todos crianças. Com oito ou oitenta.
PS2: Desculpem-me pela ausência de risos.
PS3: Sim, estou em um momento melancólico, mas o texto não foi escrito agora. Não precisam me consolar. 😛

 

Jujumenta

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Publicado em www.MuleBurra.com.

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