Tolerância Zero à Coragem Zero

O mundo deve estar mesmo acabando. É a única explicação que vejo pra justificar certas atitudes. Os homens estão cada vez menos românticos (isso já faz tempo) e cada vez mais apressados e afoitos pra pegar uma mulher, como numa corrida desesperada pra ver quem bota mais nomes na lista antes do apocalipse. (Só Jesus salva, hein?)O mais bizarro é que, contraditoriamente, eles não se esforçam em nada no discurso da conquista. O negócio definitivamente não é qualidade (da conquista, não da mulher – pq se usa saia e tem um buraco, pra eles ta valendo!), mas quantidade, velocidade e, principalmente, não se comprometer admitindo que realmente quer algo com você. Afinal, pra que perder tempo investindo num papo legal, que pode até transformar um NÃO inicial, em um, SIM? Pra que se expor dizendo que tá a fim? Por que ter trabalho? O grande lance agora é jogar verde pra geral, na base do “se colar, colou”.

Dos três últimos caras que me chamaram pra sair, todos – eu disse os três, 100%, TODOS – começaram exatamente com o mesmo papo preguiçoso que, embora pudessem ter algumas variações e seqüências diversas, resume-se às seguinte seqüência patética de perguntas:

1. O que tem feito de bom?

Isso significa que a pessoa quer saber se você ta casada, namorando, enrolada ou na pista pra negócio, soltinha na marola. Uma pergunta ampla, aberta, pouco específica como esta, te força a dar respostas diretas (Aimmm, tô namorando, sabia?) ou indiretas (“Fui pra Cabo Frio no final de semana com meu namorado!” ou “Pô, sábado fui pra micareta!”). Seja como for, ele vai ter, no mínimo, uma pista do seu estado civil, caso este não seja de domínio público no Orkut.

Se o parecer for positivo, o “cantante” vai para o passo seguinte da “elaborada” tentativa de conquista, geralmente sem nenhuma outra interação.

2. Vai sair hoje? (Ou: qual a boa de hoje?)

Fudeu. Agora o cara quer saber se você vai dar abertura pra sair com ele ou não. E não tem sequer coragem de ser claro o bastante! Na realidade, não sei exatamente qual a razão pras pessoas não assumirem que estão convidando alguém pra sair. Pode ser medo de levar um não, medo de se expor, mas ainda acho que tem uma boa dose de preguiça e de pressa (se não vai me dar, diz logo pra eu tentar outra), por mais contraditório que possa parecer.

Quando a gente não quer ver aquela pessoa nem pintada de ouro, é até mais fácil pra dar um fora, admito. Por que fica o dito pelo não dito. Você diz simplesmente que não vai sair ou que tem um compromisso – que não dê a menor margem à inclusão do sujeito. Você não disse que não quer sair com ele, mas com certeza ele entendeu a resposta. Do mesmo modo que ele não perguntou se queria sair com ele, mas você entendeu a pergunta. Fácil, prático – e descartável. Por outro lado, pode ser um tanto decepcionante você receber um convite-verde desses daquele cara com quem você fantasiou um conto de fadas. Eu não sei vocês, mas eu quero alguém que não tenha medo de demonstrar sentimentos. Que sinta realmente, e que não jogue.

Na boa? Pra ser assim, prefiro a técnica do “já é ou já era?”. Pode ser afobada e escrota, mas pelo menos é sincera e direta.

Jujumenta

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Publicado em www.MuleBurra.com.

Um comentário

  1. minha teoria pessoal qnto a isso é simples: há excesso de oferta.
    mulher demais pra homem de menos. primeira vez q venho nesse site, mas pelo estilo e pelas histórias masculinas: são cariocas. acertei?
    me tiram do sério esses homens que acham que estão quase me fazendo um favor me chamando pra sair. q se eu disser não, tem mais cinco na fila. se demorar muito pra decidir, também.
    já aboli todos. ou me faz sentir especial de alguma forma, diferente das outras 15 da fila, ou não desse mato daqui não sai coelho. e to sendo radical. sempre que a bebida deixa.

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