Como é que se escreve?

“Quando não estou escrevendo, eu simplesmente não sei como se escreve. E se não soasse infantil e falsa a pergunta das mais sinceras, eu escolheria um amigo escritor e lhe perguntaria: como é que se escreve? Porque, realmente, como é que se escreve? Que é que se diz? E como dizer? E como é que se começa? E que é que se faz com o papel em branco nos defrontando tranquilo? Sei que a resposta, por mais que intrigue, é a única: escrevendo. Sou a pessoa que mais se surpreende de escrever. E ainda não me habituei a que me chamem de escritora. Porque, fora das horas em que escrevo, não sei absolutamente escrever. Será que escrever não é um ofício? Não há aprendizagem, então? O que é? Só me considerarei escritora no dia em que eu disser: sei como se escreve.”

Clarice Lispector

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Chuva

“Is it you I want
Or just the notion of
A heart to wrap around so I can find my way around

Safe to say from here
Your getting closer now
We are never sad cause we are not allowed to be

Rain, rain go away
Come again another day
All the world is waiting for the sun

 

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Lucky

Jason Mraz e Colbie Caillat em uma canção (singela) que foi, tipo assim, amor à primeira escutada.

Há tempos uma música não mexia tanto comigo.

(Suspiro.)

Boy I hear you in my dreams
I feel your whisper across the sea
I keep you with me in my heart
You make it easier when life gets hard

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(TPM)

 

“Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece. (…) E morre-se, sem ao menos uma explicação. E o pior – vive-se, sem ao menos uma explicação. (…) E ter a obrigação de ser o que se chama de apresentável me irrita. Por que não posso andar em trapos, como homens que às vezes vejo na rua com barba até o peito e uma bíblia na mão, esses deuses que fizeram da loucura um meio de entender? E por que, só porque eu escrevi, pensam que tenho que continuar a escrever? (…) Queria fazer alguma coisa definitiva que rebentasse com o tendão tenso que sustenta meu coração.

(Clarice Lispector)

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Você

Há pessoas que nos fazem bem. Há pessoas que nos apóiam. Há pessoas que nos ouvem. Há pessoas que nos fazem rir. Pessoas que nos confortam. Pessoas que nos respeitam. Há pessoas que nos fazem sentir queridos.

E há aquelas que nos fazem dançar sem sair do lugar…

Você me tirou pra dançar
Sem nunca sair do lugar
Sem botar os pés no chão
Sem música pra acompanhar

(Cláudio Lins, “Cupido”)

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Silêncio

Olhei para você fixamente por uns instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.

(Clarice Lispector)

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Parambólica

Antes que alguém pergunte “Que porra é essa de PARAMBÓLICA?”, me antecipo em explicar.

Melhor, Clarice explicará (ou não):

“Vou te dizer uma coisa: não sei pintar nem melhor nem pior do que faço. Eu pinto um ‘isto’. E escrevo com ‘isto’ – é tudo que posso. Inquieta. Os litros de sangue que circulam nas veias. Os músculos se contraindo e retraindo. A aura do corpo em plenúrio. Parambólica – o que quer que queira dizer essa palavra. Parambólica que sou. Não me posso resumir porque não se pode somar uma cadeira e duas maçãs. Eu sou uma cadeira e duas maçãs. E não me somo.”

Clarice Lispector

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Inté.

“Eu só escrevo quando eu quero, eu sou uma amadora e faço questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade”.

(Clarice Lispector)

PS: Até um dia.

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