Dezembro

O fim de tarde quente e úmido brinda meu rosto com uma brisa morna, ainda assim agradável. Caminho devagar pela calçada, observando a decoração natalina de uma das casas, já acesa. A música caipira em um rádio ao longe faz companhia aos burburinhos dos pássaros e ao cantar de uma cigarra, ansiosa pelo dia seguinte de sol – ao menos assim dizia a minha avó.

As crianças brincam na rua em horário que seria escolar, não fosse o período de férias. Os meninos jogam futebol, interrompendo vez ou outra a pelada quando um carro passa pela rua de pouco trânsito. As meninas conversam em uma rodinha no portão da vila. Uma delas exibe um celular recém-adquirido, a única pista de modernidade nesta cena surpreendentemente bucólica para o Rio de Janeiro em 2009.

O céu que já estava escuro de nuvens carregadas, agora clareia-se com um relâmpago. A trovoada faz meu coração tremer. Não de medo, mas não sei explicar a razão. Fecho os olhos por um segundo e sinto as gordas gotas de uma água fresca molhando meu rosto, refrescando o calor de um dia inteiro.

Os meninos continuam a jogar bola. As roupas agora encharcadas e os gritos, juro, mais animados.  Esqueço de me proteger da chuva e, quando me dou conta, o que normalmente seria um martírio, se tornou um prazer, como foi um dia na infância.

Alguns momentos a mais e a chuva para. Outros mais e o sol, teimoso, resurge, se negando a admitir a noite. Finalmente, lembro-me de entrar em casa. É dezembro.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Chuva

“Is it you I want
Or just the notion of
A heart to wrap around so I can find my way around

Safe to say from here
Your getting closer now
We are never sad cause we are not allowed to be

Rain, rain go away
Come again another day
All the world is waiting for the sun

 

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .